Boulos com covid-19 mostra como campanhas de rua abraçaram a irresponsabilidade

Matheus Pichonelli
·4 minuto de leitura
SAO PAULO, BRAZIL - NOVEMBER 21: Guilherme Boulos candidate for mayor of the city of Sao Paulo for the Socialism and Freedom Party (PSOL) takes selfies with his supporters during a walking rally on November 21, 2020 in Sao Paulo, Brazil. Municipal elections in the city of Sao Paulo advance to a second round in which Guilherme Boulos faces Bruno Covas, current mayor of the city for the Brazilian Social Democracy Party (PSDB). (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
O candidato do PSOL, Guilherme Boulos. Foto: Alexandre Schneider (Getty Images)

A essa altura do campeonato, parece claro, e ao mesmo tempo fácil dizer, que candidatos do país inteiro flertaram com a irresponsabilidade ao promover encontros e atos de rua ao longo da campanha. Parece claro também que, sem uma restrição ou recomendação objetiva por parte das autoridades, quem não fizesse o corpo-a-corpo estava fadado a falar sozinho em lives e outros encontros digitais. Se um pode, todos estavam automaticamente liberados.

Na últimas semanas, não faltaram imagens de aglomerações para mostrar quem estava junto com o povo. Guilherme Boulos (PSOL) foi um desses candidatos. Dias atrás, ele promoveu até um certo “se vira nos 50”, em que tinha um tempo determinado para responder ao microfone às perguntas feitas ali, na hora, pela população reunida no centro da cidade.

Ele estava a certa distância dos eleitores, que se aglomeravam entre eles em áreas de grande circulação. Não há máscara nem “papamóvel” que dê conta.

Era exatamente isso que criticávamos quando Jair Bolsonaro queria mostrar força e um certo destemor ao vírus ao provocar aglomerações em padarias e lugares públicos, nem todos abertos e arejados. Só para mostrar que estava ao lado e não tinha medo do povo —no caso dele, muitas vezes também sem a máscara.

Boulos anunciou nesta sexta-feira 27, antevéspera da eleição, que está com Covid-19. Sem sintomas, vai receber todo atendimento médico que um candidato a prefeito de São Paulo pode e deve receber. Vai ficar bem em breve, muito provavelmente.

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O problema são as pessoas, inclusive de sua equipe, que eventualmente tiveram contato com ele e consequentemente com o vírus que já circulava. Era um risco inevitável?

A preocupação se estende inclusive para sua vice, Luiza Erundina, que aos 85 anos virou sua principal cabo eleitoral. E com quem tem diversas imagens entre beijos e abraços —não podemos precisar como e quando. Nas ruas, ela circulou com um automóvel improvisado por um “muro” de vidro ou acrílico que em tese garantiria proteção.

Boulos não foi o único, mas passou longe de ser, como candidato, o exemplo que até pouco tempo os militantes do isolamento social exigiam das autoridades públicas.

Que melhore logo e tenha uma pronta recuperação.

Mas que fique a lição sobre as contradições entre o que se propõe e o que as próprias campanhas promovem na hora que a coisa aperta.

A curva de contaminação tem crescido nos últimos dias no Brasil. A essa altura do campeonato, parece claro, e ao mesmo tempo fácil dizer, que candidatos do país inteiro flertaram com a irresponsabilidade ao promover encontros e atos nas campanhas de rua. Parece claro também que, sem uma recomendação objetiva por parte das autoridades, quem não fizesse o corpo-a-corpo estava fadado a falar sozinho em lives e outros encontros digitais.

Na últimas semanas, não faltaram imagens de aglomerações para mostrar quem estava junto com o povo. Guilherme Boulos (PSOL) foi um desses candidatos. Dias atrás, ele promoveu até um certo “se vira nos 50”, em que tinha um tempo determinado para responder ao microfone às perguntas feitas ali, na hora, pela população.

Ele estava a certa distância dos eleitores, que se aglomeravam entre eles em áreas de grande circulação.

Era exatamente isso que criticávamos quando Jair Bolsonaro demonstrava força e um certo destemor ao vírus ao provocar aglomerações em padarias e lugares públicos, nem todos abertos e arejados. Só para mostrar que estava ao lado e não tinha medo do povo.

Boulos anunciou nesta sexta-feira 27 que está com covid. Sem sintomas, vai receber todo atendimento médico que um candidato a prefeito de São Paulo pode e deve receber. Vai ficar bem, muito provavelmente.

O problema são as pessoas, inclusive de sua equipe, que eventualmente tiveram contato com ele e consequentemente com o vírus que já circulava.

A preocupação se estende inclusive para sua vice, Luiza Erundina, que aos 85 anos virou sua principal cabo eleitoral. E com quem tem diversas imagens entre beijos e abraços —não podemos precisar como e quando.

Boulos não foi o único, mas passou longe de ser como candidato o exemplo que até pouco tempo os militantes do isolamento social exigiam das autoridades públicas.

Que melhore logo e tenha uma pronta recuperação.

Mas que fique a lição sobre as contradições entre o que se propõe e o que as próprias campanhas promovem.

A curva de contaminação tem crescido nos últimos dias. E vai ficar cada vez mais difícil pedir aos camaradas que já se empoleiram em bares e áreas comerciais ficarem em casa quando seu candidato a prefeito está na rua pedindo voto.

Como como possíveis gestores das autoridades sanitárias, parece evidente ter havido uma falha grave na hora de optar entre a saúde pública e o voto nas urnas.