Guilherme Schwab lança clipe que faltava de disco inspirado em instrumento aborígene

Leonardo Sodré
·3 minuto de leitura
Guilherme Schwab com o didgeridoo, instrumento que mudou para sempre a sua relação com a música.

NITERÓI — Especialista em trilhas sonoras para a TV e conhecido pelo sucesso com a Banda Suricato e por sempre ter acompanhado grandes nomes da MPB no palco, o niteroiense Guilherme Schwab é acima de tudo um estudioso de instrumentos musicais. São 28 anos dedicados a tirar o melhor som de violões, guitarras, violões havaianos, violas caipiras, ukuleles e o que mais despertar a sua curiosidade, como o didgeridoo (criado por aborígenes australianos) e o hang drum (percussão originária da Suíça). Toda essa experiência ele levou para o seu mais recente álbum, “Tempo dos sonhos”, que traz cinco faixas, todas com videoclipe. O último deles, “Vamo embora viver”, gravado em Los Angeles, acaba de ser lançado em seu canal no YouTube.

O músico conta que é a faixa mais pesada, apesar de ter sido composta e gravada com viola caipira, com instrumentos acústicos, exceto o baixo.

— É um blues que fala de união, um manifesto contra o preconceito, puxado com a força dessa sonoridade — explica Schwab, que desde o início da quarentena vem promovendo lives intimistas no YouTube, transmitidas de sua casa, em Icaraí.

A próxima será dia 28, às 19h, com o guitarrista Ricardo Marins.

— Será um show acústico, em que tocaremos vários instrumentos. Criamos esse show para rodarmos os festivais, mas por conta da pandemia tudo foi adiado e resolvemos fazê-lo por live — explica.

Em “Tempo dos sonhos”, Schwab mostra toda a sua versatilidade como instrumentista e sua capacidade de imprimir os mais diferentes sons no universo pop. Ele toca instrumentos de várias partes do mundo, como o weissenborn (violão havaiano) e o hang drum. O didgeridoo dá um toque diferenciado a “Tocando em frente”, versão rock com influência indiana do clássico de Renato Teixeira e Almir Sater, que tem participação de André Gomes no sitar e um mantra na voz de Sri Vidya, codinome da cantora, atriz e bailarina Via Negromonte.

Além desta regravação, o álbum reúne quatro canções autorais de Schwab. “Vem”, em parceria com Juliano Cortuah, “Hora e lugar”, “Seu pra sempre” e “Vamo embora viver” também traduzem a bagagem do músico e o seu mundo de sonoridades. Ele mesmo canta todas as faixas enquanto toca pelo menos oito instrumentos, entre eles o didgeridoo, que o fez mudar a forma de vivenciar a música:

— Eu conheci (o didgeridoo) por meio de um amigo que morou na Austrália e me mandou um link de um vídeo em que o instrumento era tocado. Eu já conhecia aquela sonoridade, mas vi que para tocar era difícil porque é preciso dominar a técnica da respiração circular, que consiste em puxar o ar sem parar de soprar. É algo meditativo, com notas mais longas. Foi um instrumento que mudou completamente a forma como eu tocava até os outros instrumentos; passei a valorizar mais cada nota.

FONTE DE INSPIRAÇÃO

O didgeridoo foi, inclusive, a fonte de inspiração de “Tempo dos sonhos”.

— Ele é um instrumento sagrado, tem mais de 40 mil anos e toda uma filosofia por trás dele. Com poder de tratar doenças do sono, é muito usado na musicoterapia — explica.

O nome do álbum, a propósito, foi inspirado na crença dos povos originários da Austrália numa forma de tempo que seria um ciclo infinito espiritual, mais real do que a própria realidade. Para eles, o chamado Dreamtime é a origem de tudo, o tempo da criação; para Guilherme Schwab, o tempo dos sonhos.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)