Guilherme Weber dirige ‘Tudo’, de dramaturgo argentino, com Vladimir Brichta e Julia Lemmertz no elenco

Com estrutura de três fábulas, mas deixando questões no ar em vez da tradicional “moral da história”, o espetáculo “Tudo”, do dramaturgo argentino Rafael Spregelburd, ganha versão brasileira dirigida pelo ator Guilherme Weber, em cartaz até 17 de julho no Teatro Firjan Sesi, no Centro do Rio. Após estrear na 30ª edição do Festival de Curitiba, em abril, o texto escrito em 2009 ganha contornos atuais, a partir de três perguntas-chave: “Por que todo Estado vira burocracia?”, “Por que toda arte vira negócio?” e “Por que toda religião vira superstição?”.

Formado por Julia Lemmertz, Dani Barros, Vladimir Brichta, Márcio Vito e Claudio Mendes, o elenco dá forma por meio da atuação, em um palco com poucos elementos cênicos, a ambientes como uma repartição pública ou um jantar de Natal. Em sua quarta direção teatral, depois de “Os altruístas” (2011), “Os realistas” (2016) e “Peça do casamento” (2019), Weber optou pelo texto de Spregelburd, cuja obra já havia sido adaptada em projetos do coletivo Ultralíricos, a exemplo de “Antes que a definitiva noite se espalhe em Latino América”, com o ator no elenco e Felipe Hirsch na direção.

— Estudo a obra do Rafael há anos, esse texto não foi montado fora da Argentina e da Alemanha. É impressionante como uma peça de 2009 fala tão bem da polarização que dominou o Brasil e a América Latina recentemente, com a ironia e a iconoclastia que são marcas das peças dele — diz Weber.

Interrompido pela pandemia , o projeto foi retomado este ano, quando o elenco fez uma série de ensaios abertos em Duque de Caxias (RJ), antes de levar a montagem a Curitiba. Inicialmente, Weber também estaria em cena, mas, como entrou no elenco da nova novela das 19h da TV Globo, o diretor chamou Brichta para atuar em seu lugar.

— Todo o elenco tem uma característica incrível de comédia física, que é essencial para o texto e também se relaciona à minha forma de atuar — destaca Weber. — O Vlad tem isso muito forte, é quase um comediante de cinema mudo, essa mistura de Buster Keaton e Grande Otelo.

De volta aos palcos após sete anos, Brichta reencontrou Julia Lemmertz, colega de elenco na novela das 19h anterior, “Quanto mais vida melhor”.

— A Julinha foi meu par romântico na minha primeira novela, “Porto dos Milagres” (2001). Foi uma sorte enorme construir essa parceria e seguirmos trabalhando juntos 20 anos depois, na novela e na peça — comenta o ator, para quem a volta ao teatro após a quarentena trouxe novas questões. — Digo sempre que o teatro me salvou, estar no palco nunca foi algo intimidador para mim. Mas, antes de Curitiba, precisei ficar uma hora no telefone com o Guilherme, foi uma sessão de terapia (risos). A pandemia nos deixou mais vulneráveis, de alguma forma.

Arte e negócio

Para Julia, o texto de Spregelburd traz um bem-vindo debate sobre a obra de arte e sua monetização, que se reflete tanto na retomada das atividades quanto nas dificuldades vividas pela classe na pandemia:

— Mesmo antes, já vivíamos um momento complicado, com a cultura sendo demonizada pelo grupo que chegou ao poder. Os artistas refletem o seu tempo e o mundo em que vivem, e muita gente não quer que se exponha isso. Mas seguimos fazendo nosso trabalho, antes on-line e agora voltando ao presencial, que é a maior contribuição que podemos dar para a recuperação deste país.

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