Guillermo Lasso, o ex-banqueiro que quer recolocar Equador nas mãos da direita

Santiago PIEDRA SILVA
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Guillermo Lasso discursa no Centro de Convenções de Guayaquil em 07 de fevereiro de 2021

Conservador, mas acima de tudo anticorreísta, Guillermo Lasso quer recolocar o Equador em poder da direita depois de três décadas.

No dia 11 de abril, ele enfrentará Andrés Arauz, economista 29 anos mais jovem.

Será um duelo de gerações mas, acima de tudo, a oportunidade de Lasso se vingar do socialista Rafael Correa, para quem perdeu a presidência em 2013. Em 2017, ele enfrentou Lenín Moreno, sucessor de Correa.

Depois de romper com Moreno, Correa promoveu o jovem Arauz (36 anos) como seu herdeiro político.

Lasso (com 19,74% dos votos) superou por pouco o líder indígena Yaku Pérez (19,39%), outro antigoverno, mas de esquerda. Arauz venceu o primeiro turno com 32,72%.

- "Derrotar o correísmo" -

Caçula de onze irmãos de uma família de classe média, Lasso tornou-se um banqueiro de sucesso sem diploma universitário.

Seu irmão Xavier, jornalista e intelectual de 67 anos, é correísta. Durante o governo socialista, foi chanceler e representante nas Nações Unidas.

O candidato Lasso levantou bandeiras contra o chavismo que governa a Venezuela. Se derrotar Arauz, ele retornará o poder à direita após 32 anos.

O experiente empresário lucrou com a luta de morte entre Correa e Moreno, que dividiu o movimento esquerdista Alianza País que o liderava.

Com o apoio de poderosos setores econômicos, Lasso apoiou Moreno em um referendo em 2018 que eliminou a reeleição indefenida promovida por Correa.

- Sepultar o socialismo -

“Viraremos a página do socialismo no século XXI e entraremos em uma etapa de plena democracia, de liberdade”, diz Lasso, membro da Opus Dei e nascido em 16 de novembro de 1955 em Guayaquil, um dos primeiros focos da pandemia na América Latina.

Lasso propõe vacinar nove milhões de pessoas em seus primeiros 100 dias de governo. Haverá “uma mudança no modelo que vai virar a página da corrupção, da ineficiência e do desperdício de recursos públicos”, declarou durante a campanha.

Lasso usa óculos, tem cabelos grisalhos e caminha com o apoio de bengala.

Ele se define como "tolerante" e "democrático" e se orgulha de trabalhar desde os 15 anos.

Com um emprego de meio período na Bolsa de Valores de Guayaquil, ajudou sua família e financiou seus últimos anos do Ensino Médio. Estudou três semestres de economia antes de mergulhar no setor financeiro.

Lasso fundou seu próprio movimento, o Creando Oportunidades, mas se desenvolveu com o apoio do Partido Social Cristão e do ex-governador León Febres Cordero (1984-1988).

Entre 1989 e 2012 foi vice-presidente, gerente e presidente do Banco de Guayaquil, um dos maiores do Equador. Na área pública, foi governador da província de Guayas (capital Guayaquil) e secretário estadual da Economia na gestão do ex-presidente deposto Jamil Mahuad (1998-2000).

É casado com María de Lourdes Alcívar e tem cinco filhos.

sp-vel/mar