Alemanha insiste que mandato de prisão contra Puigdemont compete à Justiça

Berlim, 26 mar (EFE).- O governo da Alemanha insistiu nesta segunda-feira que a decisão sobre o mandato de detenção europeu contra o ex-presidente autônomo da Catalunha, Carles Puigdemont, compete "fundamentalmente à Justiça", e destacou que a crise catalã é um "assunto interno" da Espanha.

"A Espanha é uma democracia e um Estado de Direito", disse o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, para lembrar que a posição do Executivo comandado pela chanceler Angela Merkel a respeito da soberania catalã é que este é um assunto que a Espanha "deve resolver internamente" e "de acordo com suas leis".

Ao mesmo tempo, o porta-voz negou com um "não" contundente que as relações entre Alemanha e Espanha possam ser afetadas pela decisão que será tomada pelas autoridades judiciais competentes.

Com relação a um suposto pedido de asilo de Puigdemont à Alemanha, o porta-voz do ministério de Interior, Johannes Dimroth, afirmou que essa é uma "possibilidade abstrata" e que, se for formulada, também será analisada, mas acrescentou que não tem conhecimento da existência de uma iniciativa nesse sentido.

Dimroth ressaltou que sempre existe a possibilidade de pedir asilo se o solicitante alega "razões de proteção", o que, no entanto, "não diz nada sobre o potencial resultado" de um hipotético pedido de Puigdemont.

As competências sobre o mandato de captura europeu são da Promotoria Geral do estado federado de Schleswig-Holstein, onde Puigdemont foi detido ontem. Hoje, o político catalão comparecerá diante de um juiz que deverá decidir se manterá sua prisão.

Quanto ao procedimento que levou à detenção do ex-presidente autônomo catalão, Dimroth ressaltou que foi "habitual" e lembrou que a obrigação da polícia é cumprir com um mandato europeu de captura e não entrar em considerações políticas.

Diante das muitas perguntas sobre por que Puigdemont não foi detido nos outros países pelos quais passou após a decisão do juiz espanhol Pablo Llarena de emitir um mandato europeu de captura, o porta-voz do Ministério do Interior alemão se limitou a dizer que essa questão deveria ser feita às autoridades competentes desses países. EFE