Guterres à AFP: é preciso 'dialogar' com talibãs e evitar 'milhões de mortos'

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, em junho de 2021 (AFP/Kenzo TRIBOUILLARD)
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu à comunidade internacional durante entrevista à AFP que mantenha diálogo com o Talibã no Afeganistão, alertando que um "colapso econômico" e a morte de milhões de pessoas devem ser evitados.

“Devemos ter um diálogo com o Talibã, no qual afirmamos diretamente nossos princípios, um diálogo com um sentimento de solidariedade com o povo afegão”, declarou.

“Nosso dever é estender nossa solidariedade a um povo que sofre muito e no qual milhões e milhões correm o risco de morrer de fome”, acrescentou Guterres.

O chefe da ONU disse que "não há garantias" sobre o que pode sair dos diálogos, mas reforçou que são imprescindíveis "se quisermos que o Afeganistão não seja um centro de terrorismo, se quisermos que as mulheres e meninas não percam todos os direitos adquiridos no período anterior, se quisermos que todos os diferentes grupos étnicos possam se sentir representados".

"Até agora, nas discussões que temos tido, há pelo menos receptividade para falar", acrescentou Guterres, que não descarta ir ao Afeganistão um dia se as condições se apresentarem.

O que a ONU deseja é "um governo inclusivo", no qual estejam representados todos os componentes da sociedade afegã e "este primeiro governo preliminar" anunciado há alguns dias "não dá essa impressão", lamentou.

"Precisamos que se respeitem os direitos humanos e em particular das mulheres e meninas. O terrorismo não deve ter uma base no Afeganistão para lançar operações em outros países e os talibãs devem cooperar na luta contra as drogas", acrescentou Guterres.

O secretário-geral da ONU disse que o Afeganistão deve ser governado "em paz e estabilidade, respeitando os direitos do povo".

Guterres acrescentou que os talibãs querem o reconhecimento, o apoio financeiro e a suspensão das sanções.

"Isso dá certa vantagem à comunidade internacional", disse, acrescentando ser necessário evitar "uma situação de colapso econômico que poderia trazer consequências humanitárias angustiantes".

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