Há 20 anos, Argentina desistia da Copa América; relembre

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A Copa América de 2021 vive um cenário de incertezas em meio à pandemia da Covid-19. Originalmente sediada por Colômbia e Argentina, depois transferida apenas à Argentina e por fim, realocada para o Brasil, a disputa do torneio levantou discussões entre torcedores, jogadores e técnicos, e há até mesmo a chance de um boicote à competição. Há 20 anos, Colômbia e Argentina protagonizavam um dos episódios mais polêmicos do torneio continental, que terminou com a albiceleste abrindo mão de disputar a competição.

Em 1987, ano da Copa América na Argentina, dirigentes estabeleceram que o torneio se jogaria a cada dois anos, e uma ordem de sedes foi então estabelecida. Catorze anos depois, em 2001, era a vez da Colômbia abrir as portas para o torneio. Naquela época, o país viveu uma intensa onda de violência em meio à crise política entre governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

A instabilidade logo respingou no torneio, que virou alvo de questionamentos por parte das federações nacionais. Em atentados meses antes da competição, 12 pessoas morreram e o ex-técnico da seleção colombiana Javier Alvarez ficou ferido. O episódio mais significativo da crise, porém, foi o sequestro do vice-presidente da federação colombiana, Hernán Mejía, a duas semanas do início da Copa América. Ele acabou liberado posteriormente.

Impasse

Ao longo dos dias que antecederam a chegada das delegações, considerou-se adiar ou transferir a sede do torneio. A saída da Colômbia chegou a ser anunciada e até mesmo o Brasil foi considerado como possível candidato a nova sede, na época. Mas a decisão final foi manter a competição. A realização só foi possível graças a um acordo entre o governo do país e as FARC.

Todavia, os episódios haviam abalado a confiança das federações. O convidado Canadá já havia desistido alegando não ter tempo hábil para reunir sua seleção — foi substituído pela Costa Rica. A Argentina vivia um dilema. Até mesmo Hernán Mejía, recém-liberado do sequestro, foi ao país para tentar garantir aos dirigentes a segurança da competição, segundo reportagem da época do jornal "Clarín". Foi oferecida aos argentinos uma escolta permanente de 90 homens, destacados da força de segurança de mais de 4.500 policiais chamados para fazer a segurança da competição.

Mas não houve jeito. Na época, o presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, recomendou que a equipe não fosse à Colômbia. A associação de jogadores do país reiterou a posição. E a batida de martelo final veio do comitê executivo da AFA, no dia 10 de julho, véspera da abertura da competição

— A falta de segurança na Colômbia foi o critério utilizado para ratificar a posição inicial (de Grondona) — disse Óscar Giménez a jornalistas, na época. Então presidente do Argentinos Juniors, ele foi um dos presentes na reunião do comitê executivo, que decidiu a retirada por unanimidade.

Sem a Argentina, a anfitriã Colômbia acabou campeã do torneio. A equipe do artilheiro Aristizábal bateu Peru e Honduras — algoz do Brasil — no caminho para a vitória por 1 a 0 sobre o México na final, que garantiu seu primeito título na competição.

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