'Há crianças passando fome': Estados e prefeituras deixam sete milhões sem merenda

Bruno Alfano, Paula Ferreira, Renata Mariz e Thiago Herdy
Ana Cláudia de Oliveira com os quatro filhos: moradores do Portão Vermelho, na Rocinha

Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo — Sem aulas, os irmãos Daniel e Yzabella, de 6 e 9 anos, moradores da Rocinha, no Rio, perderam o direito à merenda. Eles estão entre pelo menos sete milhões de crianças da rede pública que, há dois meses, não têm ajuda do poder público para se alimentar em casa, segundo revela levantamento feito por O GLOBO em 15 capitais e 18 estados.

Desde o fim de março, estudantes de 4 a 18 anos, de pelo menos 10 estados e seis capitais, deixaram de receber alimentação escolar prevista por lei após o fim das aulas presenciais por conta das medidas de isolamento social para conter a epidemia da Covid-19.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), o Ministério Público e a Defensoria Pública dos estados de Rio e São Paulo entraram com ações na Justiça para apurar irregularidades e cobrar uma distribuição mais eficiente das merendas.

— Há crianças passando fome. Recebemos denúncias desde kits mal elaborados até valores irrisórios para alimentação— diz Marcelo Colonato, presidente do Fórum Nacional de Conselhos de Alimentação Escolar, órgão presente em todos os estados e municípios, voltado para o controle da qualidade e distribuição da merenda escolar.

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