'Há expectativa de falta de oxigênio em pequenos hospitais em poucos dias', diz diretor de logística do Ministério da Saúde

Renata Mariz
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O diretor de Logística do Ministério da Saúde, general Ridauto Fernandes, afirmou em audiência da comissão temporária da Covid-19 no Senado, nesta quinta-feira, que pode haver "falta perigosa" de oxigênio nos pequenos hospitais, sobretudo do interior, "em poucos dias".

Segundo ele, o principal problema é que os hospitais menores e as unidades de pronto atendimento (UPAs) usam oxigênio gasoso, o mais difícil de ser transportado, e que é preciso agilizar o envase de cilindros, que estão em falta no país, nas plantas de produção — muitas vezes distantes das cidades de destino.

Ele sugeriu aos senadores a criação de algum dispositivo legal para que os grandes produtores de oxigênio, que também fornecem para a indústria siderúrgica e outros setores, fiquem obrigados a receber as carretas de envasadores que chegam neste momento. Ele afirmou que houve casos de carretas que saíram do Norte do país e tiveram que ir à região Sul para abastecer cilindros.

— Então dependemos, sim, das carretas que estão na mão dos pequenos, dos envasadores, para poder fazer chegar à ponta da linha. Se não chegarmos à ponta, nas UPAs e pequenos hospitais, ali nós teremos mortes. Eu sinto muito, não dá tempo de ir atrás de mais miniusinas; mesmo cilindros, o que estamos conseguindo, a velocidade de aquisição não é também instantânea. E a expectativa de falta perigosa desse produto na ponta da linha, nos pequenos hospitais, é de poucos dias — disse Fernandes.

Segundo ele, há registros de falta ou baixo estoque de oxigênio principalmente nos estados do Norte, mas ele citou também locais mais centrais, como Valinhos, em São Paulo, e municípios do interior da região Sul, que passam por dificuldades. De acordo com Fernandes, as unidades dependentes do oxigênio gasoso são as mais afetadas, enquanto os hospitais maiores recebem o produto em forma líquida e o transforma em gás, o que facilita o fornecimento.

— Hoje o maior risco de perda de vida está nas pequenas unidades (de saúde), mesmo nas capitais, e nos hospitais do interior, aqueles que vivem do oxigênio gasoso.

Ele defendeu a ideia de criar um dispositivo, podendo ser uma lei, que envolva questões contratuais sobre o fornecimento de oxigênio para os pequenos envasadores, que costumam ter contratos com 10, 30 ou 50 municípios:

— Temos que criar uma ferramenta para que a indústria não possa recusar a carreta para ser enchida, embora seja um concorrente, embora seja alguém que vá receber aquele oxigênio e revendê-lo, no momento não temos estrutura, o grande (produtor) não consegue chegar na ponta da linha