'Há momentos em que é preciso ser populista', diz Janones ao defender projeto que reduz preço do combustível

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Para o deputado federal André Janones, pré-candidato do Avante à Presidência da República, o Brasil atravessa um dos “raros momentos em que é preciso ser populista”. Ao ser questionado sobre seu voto favorável ao projeto de lei que limita a cobrança do ICMS para atenuar o preço dos combustíveis, o parlamentar disse se sentir envergonhado, mas não arrependido.

Em entrevista ao podcast O Assunto, do G1, apresentado pela jornalista Renata Lo Prete, Janones defendeu a taxação de lucros e dividendos, além do imposto sobre grandes fortunas, como forma de custeio a um novo programa social, nos moldes do que foi o Auxílio Emergencial durante a pandemia.

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— Votaria novamente da mesma maneira no projeto de lei que reduz o preço dos combustíveis. Eu me envergonho porque é uma medida eleitoreira, que não resolve o problema, mas não temos outra opção neste momento. Eu não posso dizer para as pessoas que sou contra a redução do preço do combustível porque vai ser melhor a longo prazo — explicou.

Janones também disse ser contrário à participação das Forças Armadas na política, acusou o presidente Jair Bolsonaro (PL) de aparelhar o movimento dos caminhoneiros e de “sequestrar Deus para si”. Segundo ele, ao se pensar em caminhoneiros, se pensa em golpismo. Ao mesmo tempo, se declarar “homem de fé” e evangélico soa como ser bolsonarista:

— Bolsonaro fez com a religião evangélica o que ele fez com os caminhoneiros. Há duas alas no movimento que levaram à greve em 2018: a primeira é ligada aos sindicatos, a segunda é autônoma. Eu fui porta voz da segunda. A primeira foi aparelhada e está debaixo do braço do presidente da República — afirmou.

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Na opinião do pré-candidato, Bolsonaro incentiva, recorrentemente, episódios como o que levou o petista Marcelo Arruda à morte, no Paraná, e insinuou que o presidente carrega uma parcela de culpa por incitar os seus seguidores à violência política:

— Há um simbolismo de você estar na Presidência da República fazendo arminha toda hora, dizendo que bandido bom é bandido morto, defendendo que as pessoas possam andar com arma na cintura para se defender, em um país que sequer investe em saúde mental.

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Evitando declarar apoio explícito a Lula (PT) em um possível segundo turno entre o petista e Bolsonaro, Janones disse que vai estar do lado contrário ao presidente — desde que o outro candidato se comprometa com as pautas que considera mais caras, como a reforma tributária.

Economia

A mesma justificativa usada para defender o projeto de redução do ICMS embasa o voto de Janones a favor da PEC Eleitoral, que ganhou esse apelido por estabelecer um estado de emergência no país e liberar cerca de R$40 bilhões em gastos públicos a menos de três meses das eleições.

De acordo com ele, a medida é estelionato eleitoral. Não por ser concedida agora, mas por ter uma data limite que coincide com a chegada de um novo presidente ao Palácio do Planalto, ou com o início de um novo mandato de Jair Bolsonaro (PL).

— As pessoas estão precisando. Mas elas já estavam precisando há dois meses e vão continuar precisando em janeiro. Eu não teria colocado esse benefício para terminar em 2023, eu buscaria os recursos em uma reforma tributária. Eu dizia e mostrava com números que a gente podia pagar um auxílio de R$600. De forma estranha, há três meses da eleição, Bolsonaro resolveu concordar comigo.

Ainda sobre política econômica, uma de suas principais plataformas de campanha é um novo benefício social nos moldes do que foi o auxílio emergencial durante a pandemia. Como forma de financiar o programa, Janones defende uma reforma tributária pautada na taxação de lucros e dividendos, na instituição do imposto sobre grandes fortunas, na revisão de incentivos fiscais, no aumento do Imposto Territorial Rural (ITR) e na taxação de jatinhos, helicópteros e lanchas

— A reforma tributária precisa ser feita para que quem ganhe mais pague mais e quem ganhe menos pague menos. O que acontece hoje é que a gente está jogando nas costas das classe média a responsabilidade pela classe mais pobre. Do ponto da justiça social, a classe média é mais sacrificada do que a população de baixa renda, porque arca com os maiores custos e não recebe benefício nenhum — disse.

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