'Não há provas de conluio' entre campanha de Trump e Rússia, diz chefe de comissão

Os presidentes Donald Trump (e) e Vladimir Putin

O titular da comissão de Inteligência da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, David Nunes, afirmou neste domingo não ter visto provas de um conluio entre a campanha de Donald Trump e a Rússia durante a campanha eleitoral de 2016.

Baseado em "tudo o que tenho até este momento, não há provas de conluio", disse Nunes à rede Fox News.

Seus comentários foram feitos um dia antes de o diretor do FBI, James Comey, comparecer ante esta comissão, que investiga os supostos laços de Trump com a Rússia e a acusação do presidente de que seu antecessor, Barack Obama, grampeou os telefones de sua campanha.

Nunes, legislador republicano, também acusou alguns membros dos serviços de inteligência e do FBI de permitirem o vazamento de informações à imprensa "para prejudicar a administração Trump". "Isso me parece muito claro. É muito claro que foi o que aconteceu", disse.

Jason Chaffetz, presidente do Comitê de Supervisão da Câmara de Representantes, exigiu provas das escutas telefônicas.

"Se a Casa Branca tiver alguma, por favor compartilhe conosco", declarou à CNN.

O legislador democrata Adam Schiff, membro do Comitê de Inteligência, afirmou que é hora de encerrar este caso.

"O que o presidente disse é evidentemente falso" e a onda que gerou, golpeando os "aliados britânicos e alemães, continua crescendo e causando danos, e ele precisa pôr fim a isso", disse Schiff à NBC.

Trump afirma que há uma "caça às bruxas" por trás das acusações que pesam contra ele e seu entorno sobre supostas conexões com a Rússia.

O caso começou no mês passado, quando foi revelado, através de vazamentos a meios de comunicação, que o assessor para a segurança nacional de Donald Trump, Michael Flynn, havia mentido - inclusive para o vice-presidente - sobre suas conversas com o embaixador russo em Washington antes da posse.

Flynn foi forçado a renunciar depois de apenas 15 dias na Casa Branca.

Ao mesmo tempo, o jornal The New York Times informou que agentes de inteligência dos Estados Unidos tinham interceptado ligações telefônicas que demostrariam que integrantes da campanha de Trump tinham mantido contatos com funcionários de inteligência russos.

Foi revelado igualmente que o secretário de Justiça, Jeff Sessions, se reuniu duas vezes com o embaixador russo nos meses anteriores à vitória do candidato republicano.

Altos dirigentes de ambos os partidos desacreditaram a denúncia de espionagem telefônica formulada por Trump.

O presidente da Câmara de Representantes, o republicano Paul Ryan, assim como os democratas mais influentes de ambas as câmaras, afirmaram que não dispõem de qualquer evidência que apoie essa denúncia.

O diretor-adjunto da Agência de Segurança Nacional (NSA), Rick Ledgett, disse no sábado em uma entrevista à BBC que as acusações de espionagem contra o Reino Unido feitas na quinta-feira pelo governo de Trump são "totalmente insensatas".

O ex-juiz e comentarista Andrew Napolitano tinha afirmado no início da semana na Fox News que Obama tinha recorrido à agência de espionagem britânica GCHQ para "grampear" os telefones da Torre Trump.

A afirmação foi repetida pelo porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, e depois mencionada pelo próprio Trump, que não a desmentiu.