Há vida após Jorge Jesus? Ex-clubes mostram que futuro do Flamengo pode ser positivo e com títulos

Marcello Neves
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A saída de Jorge Jesus do cargo de técnico do Flamengo é uma ferida que segue aberta. Mas como o término de qualquer relacionamento, é preciso seguir em frente. O Rubro-Negro já mira um substituto e os ex-clubes do técnico português mostram que é possível ser feliz mesmo com outro comandante.

O EXTRA analisou como foram as temporadas seguintes de Braga, Benfica, Sporting e Al-Hilal, os últimos quatro clubes dirigidos pelo português. A análise levou em conta as campanhas a partir de 2008, quando o Mister conquistou o primeiro título profissional e despontou no cenário esportivo.

O Braga, por exemplo, aproveitou o legado deixado por Jesus. Foram necessários cinco anos para voltar a ser campeão — com a observação de que o clube não é uma potencial em Portugal — mas houve a busca por um treinador de estilo parecido. Domingo Paciência fez o Braga ser vice-campeão português na primeira temporada sem o Mister.

— Jesus fez o Braga jogar um futebol vistoso e técnico. Os jogadores gostavam do trabalho do treinador e isso chamou a atenção do Benfica— conta Flávio Silva, do ‘Record’, que lembra que o Braga ficou em 5º com Jesus.

No Benfica, o Mister fez história e ditou uma dinastia. Foram sete anos de alto investimento financeiro e títulos até a saída em 2015.

Sem Jesus, o Benfica buscou o experiente Rui Vitória e mudou a sua atuação no mercado passando a apostar mais em sua categoria de base. A mescla entre revelações e medalhões também trouxe resultado e títulos.

— O Benfica passou a apostar nos jogadores formados na sua academia e foi possível ver até atletas experientes perdendo lugar, como Luisão — conta Nuno Martins, editor do ‘Record’.

O Benfica venceu o Campeonato Português nos dois anos seguintes à saída de Jesus e mostra o Flamengo que é possível manter a hegemonia mesmo sem o treinador.

No Sporting, Jesus deixou o clube após um episódio lamentável: a agressão por parte de torcedores que protestaram contra o treinador e os jogadores. Após sua saída, tudo indicava que uma crise interminável tomaria o clube, mas o resultado foi outro.

Os portugueses perderam dezenas de atletas na Justiça pelo episódio de violência e trocaram de treinador na temporada. Contra todos os prognósticos, ainda conseguiram beliscar dois títulos.

— A temporada foi de reconstrução, a todos os níveis. Foi muito difícil, mas esportivamente excedeu as expectativas, já que o Sporting venceu dois troféus: Taça da Liga e Taça de Portugal. Tantos como nas três temporadas com Jesus — conta Vítor Almeida Gonçalves, editor do Sporting no ‘Record’.

Por fim, o Al-Hilal, da Arábia Saudita, viu Jesus deixar o clube após desentendimento com o presidente. Posteriormente, teve três sucessores em um espaço de seis meses, mas conseguiu alcançar o título da Liga dos Campeões da Ásia. Pelas mãos de Zoran Mamic, Péricles Chamusca e Razvan Lucescu, o clube também disputou o Mundial de Clubes do ano passado.

— Com ou sem Jesus, o Al-Hilal era um candidato a todos os torneios — conta o jornalista árabe Yosaf.

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