Há vinte anos, um novo mouse da Microsoft revolucionava a informática

Rafael Rodrigues da Silva

Duas décadas atrás, especificamente em 14 de abril de 1999, a Microsoft subiu ao palco da COMDEX Expo em Las Vegas (um evento que já não existe mais, mas que era bem parecido com o que é hoje a CES) e apresentou uma pequena mudança em um de seus equipamentos que iria mudar para sempre a história da informática: foi nesse dia que conhecemos o primeiro mouse a laser, o IntelliMouse Explorer.

Até aquele momento, uma equipamento que praticamente não havia evoluído desde a criação do primeiro computador pessoal era o mouse. Pessoas com mais de trinta anos e que usaram computadores nos anos 1990 certamente se lembram de como funcionavam os mouses daquela época: de forma quase que mecânica, com uma bola de metal envolvida em plástico emborrachado. Essa bolinha ficava no centro do aparelho, e rolava conforme o usuário efetuava movimentos, alertando os diversos sensores ao seu redor para onde o cursor na máquina deveria se mover.

O problema desse sistema era que, apesar de simples, ele se tornava falho em diversos momentos. Isso porque, ao rolar sobre a superfície de uma mesa ou de um mousepad, essa bolinha ia acumulando sujeira, que fazia com que a rolagem não ficasse tão sensível com o tempo e, com a sujeira se acumulando nos sensores internos do aparelho, eles funcionavam de forma errática, fazendo com que o cursor no computador não se movimentasse exatamente como deveria. Isso era um enorme problema principalmente para quem necessitava de uma resposta muito precisa do cursor — como os primeiros designers que trabalhavam com o computador, usando as primeiras versões do que hoje é o Photoshop — e muitas vezes essas pessoas precisavam interromper seus trabalhos para limpar o mouse a cada dez ou quinze minutos, pois qualquer movimento menos preciso acabava atrapalhando o trabalho.

Mouses "de bolinha" foram o pesadelo de qualquer um que necessitava de precisão nos movimentos do cursor (Imagem: Logitech)

Por isso, quando a Microsoft apresentou o IntelliMouse Explorer, foi praticamente uma revolução na informática. Ao invés da famosa bolinha, o sistema de navegação deste mouse utilizava um sistema com LEDs e câmera digital capaz de traçar a rota de movimento do aparelho de forma óptica, não apenas criando um aparelho cujo bom funcionamento não está sujeito ao acúmulo ou não de poeira, como ainda um equipamento que fornece respostas muito mais precisas aos movimentos do que mesmo o melhor dos mouses da tecnologia antiga.

Claro, o IntelliMouse não foi a primeira versão de um mouse óptico criado por uma empresa. A Xerox já havia lançado uma versão parecida de um mouse óptico em 1981 com o XEROX Star, um computador voltado para grandes empresas e lojas, pois custava na época US$ 16 mil — considerando a inflação e as correções monetárias, seria o equivalente a US$ 45 mil na economia atual — e deixava claro que esse era um equipamento que apenas pouquíssimas pessoas poderiam comprar. Cerca de uma década depois, a Sun Microsystems passou a utilizar um equipamento bem parecido com o da Microsoft em seus servidores e estações de trabalho, mas, além de esses computadores serem extremamente caros (como é comum a qualquer servidor), esses mouses só funcionavam se utilizados em um mousepad especial, o que tirava deles qualquer praticidade.

E por isso o lançamento da Microsoft foi uma revolução, pois o IntelliMouse não apenas funcionava em qualquer superfície não-refletiva (caso não tivesse um mousepad, era possível usado direto em cima de qualquer mesa que não fosse de vidro, ou mesmo em cima de um livro ou um caderno) como também possuía um preço acessível. Apesar dos US$ 75 na época de seu lançamento serem um preço bem acima da média para um mouse, ainda era um valor acessível o suficiente para que qualquer pessoa que possuísse um computador, seja por motivos de trabalho ou apenas para uso pessoal, tivesse condições de comprar um para uso.

IntelliMouse Explorer (Imagem: Microsoft)

Outra mudança trazida pelo IntelliMouse da Microsoft foi a adição de botões adicionais. Versões anteriores do IntelliMouse já haviam transformado o botão central do mouse no botão “rotativo” (scroll) que estamos acostumados a encontrar em todos os modelos. Com o Explorer, além do sistema de movimentação ótica, a Microsoft também adicionou botões laterais programáveis para ajudar na navegação, sendo também o “pai” dos atuais mouses gamer que possuem às vezes dezenas de botões de atalho personalizáveis.

Como esperado, o sucesso do aparelho foi tão longe que não demorou muito para as outras empresas entrarem no jogo: em 2000, a Apple lançou o primeiro mouse óptico da marca, e em 2004 a Logitech lançou no mercado um novo sistema que, ao invés de leds e câmeras, utilizava um laser para a captura dos movimentos. E, claro, os botões extra deixaram de ser algo estranho para se tornar obrigatórios em diversas funções, desde jogos de videogame até em trabalhos de design ou programação.

Quando lançou o IntelliMouse Explorer, a Microsoft apresentava uma nova opção para um equipamento que pouco havia mudado em quase três décadas da computação pessoal, não apenas revolucionando este mercado mas resolvendo o problema de falta de precisão que impedia muitas profissões de realmente se automatizarem.

Fonte: Canaltech

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