Hábitos saudáveis são decisivos para prevenir diabetes, dizem médicos no 'Encontros O GLOBO'

Leticia Lopes*

RIO — O Brasil é hoje o quarto país do mundo com o maior número de pacientes com diabetes. Os dados são da Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês), que projeta que o país pode ter até 23 milhões de casos até 2045, um número 43,7% maior que os 16 milhões de brasileiros atualmente diabéticos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A doença crônica foi tema do “Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar” que aconteceu ontem no auditório do jornal. No encontro, o cardiologista Cláudio Domênico e as endocrinologistas Cristiane Carvão e Denise Momesso debateram, com mediação da jornalista Ana Lucia Azevedo, os tipos do diabetes, os tratamentos e a importância da alimentação e do exercício físico na prevenção. O evento é uma realização do GLOBO, com patrocínio do Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (Cepem).

O encontro aconteceu na véspera do Dia Mundial do Diabetes, comemorado hoje, 14 de novembro. A data foi escolhida por conta do aniversário do médico canadense Frederick Banting (1891-1941), que, junto do colega Charles Best (1899-1978), descobriu a potencialidade da insulina como arma contra o diabetes em 1921.

— A mensagem deste dia 14 de novembro é que temos de cuidar de nós e das nossas famílias, das nossas crianças, dos nossos idosos... Precisamos começar dentro de casa o trabalho de prevenção — alertou a médica Denise Momesso, que lembrou ainda da importância do diagnóstico precoce para evitar as complicações do diabetes, como problemas cardiovasculares, renais e nos olhos: — Quem tem a doença deve fazer, por exemplo, exame de urina anual para avaliar se há perda de proteína, porque, se isso for observado, você já consegue começar o tratamento e evitar que o quadro progrida para uma doença renal terminal, quando há a necessidade da diálise.

Outro teste necessário, diz Denise, é o de fundo de olho com o oftalmologista, pelo menos uma vez ao ano, para ver se há alguma alteração por conta da hiperglicemia.

Há ainda a indicação de se avaliar os pés, o que deve ser feito diariamente: pacientes diabéticos precisam prestar bastante atenção a essa parte do corpo, pois qualquer frieira ou pequeno ferimento pode evoluir para algo maior e, em último caso, para uma amputação de membros inferiores.

Um ponto extensivamente debatido pelos especialistas foi a importância dos hábitos saudáveis na prevenção do diabetes, doença muito ligada a fatores de risco como a obesidade e o sobrepeso.

— Sabemos que, apesar de toda a informação disponível, a obesidade e o sobrepeso têm aumentado. Entre as causas estão a má alimentação e o sedentarismo, fatores de risco para doenças cardiovasculares e o diabetes — disse a endocrinologista Cristiane Carvão, que é médica ultrassonografista do Cepem.

Curador do evento, Cláudio Domênico também defendeu como primordial a prática de exercício físico na prevenção e no tratamento.

— Antigamente, um paciente infartava ou tinha câncer, e a possibilidade de fazer atividade física era descartada. Hoje, é o contrário. Só há risco para quem tem câncer de pele, ainda mais no Rio, por conta do sol. Fora isso, não há contraindicação — disse Domênico. — Se você tem uma predisposição genética, precisa adotar um estilo de vida agressivamente saudável que compense isso.

*Estagiária sob supervisão de Eduardo Graça