Híbrida e com novos estilistas, SPFW apresenta 41 desfiles até sábado

Paulo Borges, idealizador da São Paulo Fashion Week, tem uma certeza em relação às futuras edições da semana de moda brasileira: a presença incontornável dos desfiles digitais, transmitidos em tempo real — esses vieram para ficar, ainda que o coronavírus siga com alguma trégua. Trata-se do modelo visto na atual edição, a de número 53, iniciada na noite desta terça-feira.

"A dinâmica da moda vem sendo transformada, inclusive até antes da Covid-19. A moda é vida, acompanha os acontecimentos cotidianos, mas por vezes lança os próprios acontecimentos. Há dez anos me diziam que a moda estava careta, mas na verdade é o mundo que está", garante.

Com nada de careta, por assim dizer, o estilista Alexandre Herchcovitch com sua marca À La Garçonne foi responsável por abrir os trabalhos desta SPFW que se estende até o próximo sábado. O desfile aconteceu no Teatro FAAP, em Higienópolis.

Herchcovitch disse que fez roupas de festa, com forte apelo do streetwear, elemento importante na obra do designer. Quase toda em preto e branco, com pontos de vermelho, azul e verde, a apresentação redefiniu a alfaiataria afiada do estilista, especialmente nos vestidos de noite. Os acessórios ganharam texturas que lembravam cadernos escolares e papel pardo.

Os looks vieram alongados, em modelagens menos ajustadas ao corpo, sem aquele ajuste correto no tronco e nos braços. A beleza, assinada por Celso Kamura, fugiu do visual clean, que ganhou os tapetes vermelhos recentemente. As modelos usavam batom vermelho e sobra escura bem marcada.

A estampa de corda torcida, marca registrada do estilista e replicadas um sem fim de vezes em colaborações da À La Garçonne para outras marcas grandes do varejo, apareceram mais discretas em modelos de jaqueta com capuz, ao redor da gola dos modelos.

Próximos dias

Fora do Parque do Ibirapuera, seu QG original, os desfiles ocorrem neste ano principalmente no Senac Lapa Faustolo e no Komplexo Tempo, no Parque da Mooca. Há algumas exceções, caso da própria noite de abertura no Teatro Faap e do desfile da Neriage, no sábado, que será no Rosewood Hotel, no complexo da Cidade Matarazzo.

Ao todo, serão 22 desfiles presenciais e mais 19 virtuais. As grandes marcas que costumavam fazer parte da semana paulista até meados dos anos 2010 seguem fora do line-up. O que se vê neste ano é uma seleção de novos estilistas, de etiquetas menores, mas bastante impacto criativo, caso de Isaac Silva, que encerra os desfiles neste ano, no sábado.

"As grandes marcas estão todas repensando uma série de questões, seu tamanho, sua presença no digital, são alguns desses pontos. É um novo mapeamento de situações, mas a semana de moda não pode parar até que que as pessoas repensem seus processos, é preciso caminhar", afirma Paulo Borges.

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