Há 20 anos, Maníaco do Parque era preso; relembre caso que chocou o País

AP Photo/Paulo Pinto, Agencia Estado

Preso desde 4 de agosto de 1998, há 20 anos, portanto, Francisco de Assis Pereira, o “Maníaco do Parque” começou a receber cartas de amor de mulheres que não conhecia: em menos de um mês, já colecionava mais de mil cartas e, em 2002, até se casou com uma dessas mulheres.

Entre 1997 e 1998, Pereira aterrorizou a região próxima ao parque do Estado, entre São Paulo e Diadema – ele assassinou 11 mulheres e estuprou outras nove, que conseguiram escapar.

O “Maníaco do Parque” escolhia suas vítimas, todas jovens de até 24 anos, a quem fazia falsas promessas de emprego ou de ensaios fotográficos.

Após conversar com as moças, ele as atraía para um local isolado e lá, depois de estuprá-las, tirava da pochete uma pequena corda ou um cadarço de tênis e as estrangulava. A maioria das vítimas era deixada nua, e algumas foram encontradas com marcas de mordidas pelo corpo.

O primeiro corpo encontrado no parque, em 4 de julho de 1997, por um rapaz que entrou na mata à procura de uma pipa, foi o da comerciária Selma Ferreira Queiroz, de 18 anos, desaparecida dois dias antes.

Com um retrato falado divulgado nos jornais, graças ao auxílio de mulheres violentadas por ele, Francisco, assustado, fugiu. Passou pelo Paraguai, Mato Grosso do Sul e Argentina. Foi preso em 4 de agosto.

O homem confessou 11 assassinatos. No primeiro processo, em setembro de 1999, o juiz Luiz Augusto de Siqueira, da 16ª Vara Criminal, o condenou a 121 anos de prisão, por estupro e assassinato de cinco vítimas e violência sexual e roubo contra outras dez mulheres, além de atentado violento ao pudor. Em julho de 2002, foi condenado a mais 121 anos em processos por homicídio e ocultação de cadáver. Com o terceiro julgamento, a sentença do Maníaco do Parque totalizou 268 anos de prisão em regime fechado.

Conforme entrevista publicada no “Diário de S. Paulo” em outubro de 2005, ele era casado com a catarinense Jussara Gomes, de 60 anos, que o visitava semanalmente, e pleiteava à Justiça visitas íntimas. O casal que se conheceu durante uma audiência em 1999, se casou três anos depois por procuração. O Maníaco também tornou-se pregador do Evangelho. Ele poderá ser solto em 2028, após completar o tempo máximo de reclusão estabelecido pela legislação brasileira, 30 anos.