“Há retaliações por eu ser sapatão”, desabafa Bruna Linzmeyer

Bruna Linzmeyer fala sobre preconceito por ser lésbica (Foto: Luciana Prezia/Divulgação)

Por Leandro Lima

De férias da TV desde o fim de 'O Sétimo Guardião’, Bruna Linzmeyer bateu um papo com a imprensa durante lançamento de uma marca de lingerie, da qual é garota-propaganda, e se mostrou muito preocupada com a violência que membros da comunidade LGBTQ+ têm enfrentado.

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A artista admitiu que por conta de sua orientação sexual sofre preconceito, mas que ao lado de outras pessoas está criando uma rede de proteção. “Há retaliações por eu ser sapatão, e sim há sapatão morrendo, saindo de casa”.

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Bruna enfatiza que não está só, que há toda uma comunidade que luta por direitos e pede apoio: “É um trabalho nosso como humanos, independente do gênero, classe, tecer uma rede, um apoio, um suporte. Quando a gente percebe que não está só, é por conta de um trabalho que a gente fez”.

A atriz revela ainda como é o retorno das pessoas em prol de suas ações e afirmações que envolvem sua vida pessoal e posicionamento. “Tem muita mulher na rua que vem me agradecer, que vem falar que conseguiu falar com a família e tal. 'Obrigado. Não para, continua'. Minha real obrigação é devolver esse obrigado, por estar neste mainstream, porque só estou aqui porque essas mulheres estão comigo, estão do meu lado. Fazer uma campanha de lingerie é tudo muito novo, não estou sozinha, representar o que eu represento neste momento é porque essas mulheres me dão suporte”.

Questionada sobre boicotes de marcas, a atriz explica que isso acontece diariamente.Retaliações acontecem em níveis não falados, acontecem o tempo todo. Vez ou outra eu percebo. Há retaliações por eu ser sapatão. Ainda vivemos num mundo preconceituoso e conservador. Há muita gente que quer trabalhar [comigo] por ser quem eu sou. Faço um filtro com quem vai trabalhar comigo. E tá tudo certo. E a gente vai tecendo as nossas redes”.

O privilégio

Sobre o fato de ser atriz e ajudar pessoas anônimas por meio de suas mensagens e personagens, Bruna acredita que não há diferença no tratamento que outras mulheres enfrentam no dia a dia, como uma engenheira que assume o namoro com uma mulher. “É a mesma coisa que a engenheira. Está amplificado pra mim por conta da mídia, mas a gente [e a engenheira] vive as mesmas coisas”.

Em um relacionamento sério com a artista plástica Priscila Fiszman, Bruna está preocupada com pessoas que não possuem os mesmo “privilégios” que ela tem como artista.

“Sou uma mulher branca, jovem, bonita, dentro desses padrões de beleza, atriz de televisão, conhecida, neste momento da minha vida com dinheiro [risos]. Comigo não vai acontecer muita coisa. Estou bem privilegiada, mas, sim, tem sapatão morrendo, tem sapatão sendo expulsa de casa e esses discursos vêm sendo autorizados por autoridades. Então, sim, me preocupo."

Me preocupo não só com violências extremas, mas, sim, me preocupo com cada mulher que vai ficar presa dentro de si mesma, que não vai conseguir amar uma outra mulher por medo do que vai estar em volta. Mulheres que não vão poder viver amor, paixão, sexo prazer, vida...Essa é a minha maior dor.