Há um mês, jornalista desaparecido disse que queria relatar ameaças contra indígenas

Dom Phillips é um jornalista britânico que vive no Brasil desde 2007 e está desaparecido, junto com o indigenista Bruno Araújo Pereira (Foto: Reprodução)
Dom Phillips é um jornalista britânico que vive no Brasil desde 2007 e está desaparecido, junto com o indigenista Bruno Araújo Pereira (Foto: Reprodução)

O jornalista e colaborador do jornal The Guardian, Dom Phillips, que está desaparecido na Amazônia, esteve há cerca de um mês na aldeia dos ashaninkas em Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre, e disse que queria relatar ameaças contra indígenas.

Um vídeo divulgado pela Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa) e registrado pelo portal g1 mostra o jornalista falando do projeto de seu livro.

“As terras indígenas são os locais mais protegidos na Amazônia, todo mundo sabe disso e eu pedi para vir para cá [Acre] para entender como vocês lidam com isso aqui, como vocês se organizam, como é todo esse processo. Eu vim para acompanhar um pouco isso, aprender um pouco com vocês, como é essa cultura, como vocês veem a floresta; como vocês vivem por dentro, como vocês lidam com essas ameaças que vêm de invasores, garimpeiros e tudo mais”, falou o inglês.

“Agora estou fazendo um livro para uma editora inglesa, sobre essa questão da conservação na Amazônia, e andando muito na Amazônia, andando com pessoas e uma parte muito importante deste livro é a proteção dos povos indígenas, o protagonismo”, acrescentou.

Segundo o portal g1, os indígenas da aldeia no Acre estiveram com o jornalista entre os dias 4 e 10 de maio deste ano —período em que foi gravada a fala. Nas redes sociais, Apiwtxa relembrou a visita do jornalista na região e pediu agilidade nas investigações.

“Externamos aqui nossa profunda preocupação com o seu desaparecimento, junto com o indigenista Bruno Araújo. Pedimos total celeridade nas buscas.”

Entenda o caso

Nesta quarta-feira (8), equipes realizam o terceiro dia de busca pelo jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, e o indigenista Bruno Araújo Pereira, que desapareceram no Vale do Javari, na Amazônia.

A dupla fazia o trajeto da comunidade ribeirinha São Rafael até a cidade de Atalaia do Norte. As buscas são feitas pelo Exército e pela Marinha. Desde a tarde de segunda (6), cerca de 150 combatentes de selva da 16º Brigada de Infantaria de Selva, sediada em Tefé (AM) participam da operação. Um helicóptero dá apoio às atividades.

Já a Marinha enviou o Comando de Operações Navais, que utiliza helicópteros, motos aquáticas e embarcações. Além disso, 15 servidores da Funai e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) foram enviados ao local, sob a coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

As buscas contam também com apoio de “indígenas extremamente conhecedores da região", que percorrem os quase 200 km entre Atalaia do Norte e a comunidade de São Rafael.

O desaparecimento está sendo investigado pela Polícia Federal no Amazonas.

Governo é cobrado

Entidades indígenas divulgaram uma nota nesta terça-feira (7) cobrando mais ações do governo federal nas buscas. O texto é assinado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

No comunicado, as entidades denunciam que na segunda-feira (6), apenas seis policiais militares e uma equipe da Funai trabalhavam nas buscas, e negaram que a Polícia Federal e a Marinha apoiavam a operação.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) supôs que o desaparecimento seja consequência de uma execução ou de um acidente.

Além disso, o presidente da República também definiu a viagem dos dois como uma “aventura não recomendada”. As declarações foram feitas em entrevista ao SBT.

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