Habitantes de Hong Kong se instalam no Reino Unido com tristeza e esperança

Jerome Taylor y Su Xinqi, con Mathilde Bellenger en Chelmsford
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Londres decidiu oferecer vistos em reação à lei de segurança nacional imposta por Pequim em Hong Kong em junho passado

Cansada da repressão e da falta de garantias, cheia de dúvidas e com um sentimento de culpa, Judy está prestes a deixar Hong Kong com sua família para começar uma nova vida no Reino Unido.

Nos últimos anos, Judy, 36 anos, mãe de dois filhos, observou impotente como as autoridades de Hong Kong respondem com repressão aos pedidos de mais democracia na ex-colônia britânica.

Quando o Reino Unido ofereceu vistos abrindo o caminho para a cidadania britânica aos habitantes de Hong Kong nascidos antes de 1997 (quando o território voltou à soberania chinesa), Judy e seu esposo decidiram partir com seus dois filhos.

A ex-funcionária de assuntos públicos se demitiu do trabalho e a família agora se prepara ativamente para a viagem ao Reino Unido prevista para abril.

"Me sinto muito culpada e muito infeliz, mas também não quero ficar aqui porque não me sinto segura", disse Judy à AFP, uma das dez pessoas que nas últimas semanas aceitaram falar de sua decisão de emigrar ao Reino Unido.

- Classe média -

Londres decidiu oferecer vistos em reação à lei de segurança nacional imposta por Pequim em Hong Kong em junho passado.

Ainda não se sabe quantos habitantes de Hong Kong têm a intenção de se instalar no Reino Unido, já que o coronavírus limita os voos internacionais e atinge severamente a economia britânica.

As solicitações de um passaporte britânico no exterior (British National Overseas, BNO), por parte dos moradores de Hong Kong nascidos antes de 1997, aumentaram 300% desde junho.

Em 2020, cerca de 7.000 deles se instalaram no Reino Unido.

As autoridades britânicas estimam que até 154.000 pessoas podem se instalar no próximo ano e até 322.000 nos próximos cinco anos, trazendo consigo cerca de 2,9 bilhões de libras (3,3 bilhões de euros).

Por sua vez, as autoridades de Hong Kong minimizaram o número de saídas e acreditam que poucos habitantes concretizarão seu projeto.

Consideram também que este fenômeno será compensado pela chegada de chineses do continente.

Regina Ip, uma destacada política oficialista, difamou os candidatos que iam embora, chamando-os de pessoas "sem dinheiro, competência ou educação".

No entanto, o perfil médio das pessoas entrevistadas pela AFP não corresponde a essa descrição.

A maioria deles estudou na universidade, pertence à classe média, tem filhos pequenos e dinheiro suficiente para sobreviver enquanto busca trabalho no Reino Unido. Além disso, estão cientes que seu nível de vida será menor do que em Hong Kong e que terão que começar do zero.

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