Hackers atacam sites da junta militar em Mianmar; motoristas bloqueiam as ruas

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Policiais observam manifestantes pró-democracia em Yangon em 18 de fevereiro de 2021

Hackers atacaram nesta quinta-feira (18) sites governamentais administrados pela junta militar em Mianmar, em resposta ao bloqueio noturno da Internet, enquanto vários países, incluindo os Estados Unidos, redobram a pressão para restaurar a democracia.

Um grupo chamado "Hackers de Mianmar" atacou várias páginas do governo, incluindo a do Banco Central, o site de propaganda do Exército, o endereço do canal público MRTV, da autoridade portuária e o site da agência de segurança alimentar e de saúde.

Na quarta-feira, dezenas de milhares de pessoas protestaram no país contra o golpe militar que derrubou o governo civil de Aung San Suu Kyi em 1º de fevereiro, acabando com uma frágil transição democrática de dez anos.

Desde então, os militares intensificam a repressão.

"Lutamos por justiça em Mianmar", afirmou o grupo de hackers em sua página do Facebook. "É como uma grande manifestação ante dos sites do governo", completaram.

Um jornal ligado à junta confirmou que os sites militares também foram alvos de ataques.

Em Yangon, os motoristas bloquearam o tráfego nesta quinta-feira, pelo segundo dia consecutivo, em uma tentativa de impedir o avanço das forças de segurança.

- Centenas de detenções -

Na segunda maior cidade do país, Mandalay (centro), a polícia e o Exército dispersaram os manifestantes que bloqueavam o tráfego ferroviário, de acordo com testemunhas. Uma fonte dos serviços de emergência afirmou que as forças de segurança abriram fogo, mas não tinha condições de saber se eram balas de borracha, ou munição letal.

Quatro condutores de trem foram detidos na cidade, segundo a Associação de Ajuda aos Presos Políticos (AAPP), que tem sede em Yangon. O grupo denunciou mais de 500 detenções desde o golpe militar no primeiro dia do mês.

Onze funcionários do Ministério das Relações Exteriores foram detidos nesta quinta-feira por participação no movimento de protesto, informou uma fonte da pasta à AFP.

Em Myitkyina, norte do país, a imprensa local exibiu imagens de filas de caminhões com militares observando o protesto dos manifestantes.

O medo de represálias está presente entre os habitantes do país, que viveu quase 50 anos sob ditadura militar desde sua independência em 1948.

As forças de segurança já usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os manifestantes em várias ocasiões.

Uma mulher de 20 anos, atingida na cabeça na semana passada - provavelmente com munição letal - teve a morte cerebral anunciada. Um policial faleceu na terça-feira, devido aos ferimentos sofridos durante um protesto em Mandalay.

Apesar do medo, os apelos por desobediência civil prosseguem: médicos, professores, controladores aéreos e trabalhadores do sistema ferroviário estão em greve contra o golpe.

- Sanções e demandas -

Os responsáveis pela política externa de Estados Unidos, Índia, Japão e Austrália pediram um retorno "urgente" à democracia em Mianmar, informou o Departamento de Estado americano.

Em comunicado que não menciona a China, eles também pediram o fortalecimento da democracia na Ásia.

Pequim até agora expressou apoio à junta birmanesa.

Ao mesmo tempo, o Reino Unido e o Canadá sancionarão três generais birmaneses por "graves violações dos direitos humanos", anunciou o Ministério das Relações Exteriores britânico.

As sanções visam o ministro da Defesa, Mya Tun Oo, o ministro do Interior, Soe Htut, e seu vice, Than Hlaing.

A Noruega também anunciou a suspensão de todos os investimentos no país asiático.

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