Haddad anuncia Lúcia França, mulher de Márcio França, como vice em SP

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***ARQUIVO*** São Vicente, SP, BRASIL, 02-08-2022 - Foto o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
***ARQUIVO*** São Vicente, SP, BRASIL, 02-08-2022 - Foto o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) definiu que a ex-primeira-dama Lúcia França (PSB), 60, será sua candidata a vice na corrida pelo Governo de São Paulo. Lúcia é mulher do ex-governador Márcio França (PSB), que completa a chapa como candidato ao Senado.

Haddad fez o anúncio pelas redes sociais e afirmou que pediu ao PSB a indicação de uma mulher.

"Depois de muitas tratativas com os seis partidos aliados em busca de uma mulher para compor a nossa chapa ao governo do estado, pedi ao PSB que indicasse o nome. A indicação me chegou e não poderia me dar maior satisfação: a educadora Lúcia França será a nossa vice", escreveu.

A coligação do petista é formada por PT, PSB, PV, PC do B, Rede e PSOL.

A decisão ficou para esta sexta-feira (5), último dia de prazo das convenções, depois que Haddad viu outras opções não se concretizarem.

O plano A do petista era atrair a ex-ministra Marina Silva (Rede) para sua chapa —ele obteve o apoio dela em sua campanha. Mas Marina recusou o convite na segunda-feira (1º) após considerar que, devido ao seu compromisso com a Amazônia, deve mesmo disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Outro nome indicado pelo PSB para o posto, o ex-prefeito Jonas Donizette (PSB), também declinou e preferiu concorrer a deputado federal.

Ainda estava no páreo Marianne Pinotti (PSB), médica que foi secretária da Pessoa com Deficiência na gestão de Haddad na prefeitura, mas França fez pressão pela escolha de sua mulher.

A reportagem apurou que a resistência no PT era grande ao nome da ex-primeira-dama, inclusive da parte de Haddad. Mas o PSB insistiu na indicação dela —e França já havia aceitado retirar sua candidatura ao Palácio dos Bandeirantes em nome da unidade da esquerda.

Embora a escolha tenha sofrido críticas de aliados pela falta de experiência de Lúcia, petistas afirmam que ela tem um bom currículo, além de um histórico de serviços prestados como presidente dos fundos sociais de São Vicente e de São Paulo.

Também destacam que Haddad fazia questão de uma mulher no posto —depois da recusa de Marina Silva, havia poucas opções.

A preferência da campanha petista, no entanto, era por Marianne, por ser ligada à área da saúde, enquanto Lúcia representa a educação, assim como Haddad. Além disso, aliados de Haddad se preocupam que uma chapa com marido e mulher possa passar a ideia de um negócio de família ou de um favorecimento.

França comemorou a escolha nas redes sociais. "Não tenho dúvidas de que irá contribuir para um estado mais justo e com mais oportunidades para todos. Boa sorte, Lúcia e Haddad!", disse.

Lúcia sempre teve participação ativa nas campanhas do marido, a última para a Prefeitura de São Paulo, em 2020, mas nunca disputou um cargo público.

A agora candidata a vice é professora e lecionou em escolas de São Vicente e Praia Grande, no litoral paulista. Há 40 anos, ela dirige um colégio em Praia Grande.

Ela nasceu na capital paulista e foi criada em São Vicente, cidade onde o marido foi prefeito por dois mandatos (de 1997 a 2004). Pedro Gouvêa (MDB), irmão dela, foi eleito prefeito de São Vicente em 2016 pelas mãos de Márcio França.

Com França, ela tem dois filhos, o deputado estadual Caio França (PSB-SP) e Helena França, pedagoga e professora.

Antes de decidir a vice, o PT também aguardava uma decisão da União Brasil, que por fim fechou aliança com Rodrigo Garcia (PSDB) na quarta-feira (3).

Para furar a bolha da esquerda e alcançar o interior do estado, a campanha petista buscava um vice que apontasse para o centro —tal qual Geraldo Alckmin (PSB) na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O PSOL, porém, que retirou a candidatura de Guilherme Boulos ao Palácio dos Bandeirantes em apoio a Haddad, chegou a reivindicar o posto de vice, uma vez que o PSB já estava contemplado na chapa com França.

A ideia, no entanto, não foi aceita pelos petistas justamente por reforçar a imagem esquerdista da chapa. O PSOL acabou concordando em ocupar a suplência para o Senado com o presidente da sigla, Juliano Medeiros.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a campanha de Haddad quer aproveitar o máximo possível a presença de Alckmin no estado, fazendo viagens e eventos conjuntos com o ex-governador. Haddad tem evitado criticar as gestões tucanas passadas em São Paulo e centrado ataques a Rodrigo, João Doria (PSDB) e Jair Bolsonaro (PL), numa estratégia de nacionalizar a campanha.

Lúcia França é próxima da mulher de Alckmin, Maria Lúcia. As duas ex-primeiras-damas foram presidentes do Fundo Social de Solidariedade do estado, como é o costume.

Segundo a última pesquisa Datafolha, do fim de junho, Haddad lidera a disputa em São Paulo, com 34% das intenções de votos. Em segundo lugar, há um empate entre Rodrigo e Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos com 13%.

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