Haddad avança e, com ele, dólar cresce na cotação

Fernando Haddad chegou a 16% da preferência do eleitorado no Datafolha de 20/09 (Bruno Castilho/Futura Press)
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É evidente que o histórico dos governos petistas desagrada o mercado, que já o relaciona com as previsões de futuro: populismo, gastos desenfreados, medidas de restrição e regulamentação, favorecimento de setores específicos da economia e grande comprometimento da imagem e da estabilidade por conta dos escândalos de corrupção. Estes são alguns dos fatores que explicam a rejeição dos donos do dinheiro. Nas mãos de socialistas convictos, o capitalismo rui ou se torna corrupto — todos saem perdendo.

Investidores internacionais se sentem inseguros, escolhem investimentos mais conservadores em outros lugares onde haverá certeza de bom negócio e a reputação do Brasil fica prejudicada. Paramos de crescer e caminhamos para trás.

Vamos supor que estamos jogando Monopoly. Você tem um tabuleiro todinho do Brasil, e entre as diversas casinhas de propriedades onde pode investir (colocar a pecinha de imóveis, hotéis, pedágio) a barganha é bizarra — compra aquele local pelo triplo do preço praticado, não pode construir nada sem pagar o dobro do que os outros jogadores e ainda por cima vai ter que dividir seu empreendimento com o “governo” local. Toda rodada você paga muitas taxas para o “Banco” (que nesse caso é o “Governo”) e não recebe quase nada em troca. Em poucas rodadas, você vai perder tudo o que tem e se chatear por terem colocado na sua frente um jogo tão catastrófico, onde não há diversão em prosperar como se espera.

O papel das eleições também é crucial na precificação do dólar. Em um possível segundo turno entre Bolsonaro e Alckmin, a diferença não se faz tão gritante, quando analisamos históricos e propostas. O pragmatismo de Alckmin não desce quadrado. Para quem está de fora e não analisa detalhes, ambos navegam no espectro centro-direita.

No entanto, um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad desperta uma lacuna quase apocalíptica. Em uma resolução de anos atrás, analisada pelo jurista Ives Gandra, o PT deixa claras as suas metas para um eventual próximo período de poder: engessar a Polícia Federal e o Ministério Público, interferir nas academias militares, controlar a informação e a mídia. Isso significaria, no mínimo, o fim de operações como a Lava-Jato e o aparelhamento dos meios de comunicação. Praticamente uma receita pronta para o caos que já é observado em países bolivarianos – qualquer investidor sensato com acesso a esse documento oficial se manteria tão distante quanto possível.

Economicamente, não há como uma gestão Haddad apresentar resultados de curto prazo tão satisfatórias quanto foram no governo Lula – as consequências das políticas da época são, hoje, o que puxa o Brasil para baixo e o que nos impediu (e segue impedindo) de progredir como país emergente. Enquanto a turma do PT estiver no meio do caminho, o mundo não se arriscará. A alta do dólar é apenas um dos indícios de que votar no PT é corroborar uma tragédia anunciada, e infelizmente a vida real não é um tabuleiro que se pode devolver na loja, reclamando do absurdo que arrumou por – ao menos – quatro anos.

Mariana Diniz Lion (@maridinizlion) é formada em Direito pela FMU, pós-graduada em Economia Austríaca pelo IMB e especialista do Instituto Mises Brasil