Haddad diz que projeto de moeda comum com Argentina terá 'discussão de anos'

Em conferência na Argentina, Haddad explicou os planos de moeda comum com o país. (LUIS ROBAYO/AFP via Getty Images)
Em conferência na Argentina, Haddad explicou os planos de moeda comum com o país. (LUIS ROBAYO/AFP via Getty Images)
  • Moeda comum ainda está longe de se tornar uma realidade, afirmou o ministro;

  • Projeto tem como objetivo reduzir a dependência do dólar e dinamizar as relações dos países;

  • Atuais métodos de pagamento não dão conta do recado, disse Haddad.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou nesta segunda-feira (23) quais são os planos pensados pelo governo para a chamada "moeda comum" entre Brasil e Argentina. As falas foram feitas em evento em Buenos Aires que contou com a presença de empresários brasileiros e argentinos.

Segundo o ministro, muita confusão foi feita sobre o tema nos últimos dias. Para começar, o projeto ainda está em seu início e ainda será discutido por grupos de trabalho por muitos anos. Em segundo, é um engano chamar a moeda de "única", como é o euro e era a ideia do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes. A moeda comum, ainda por cima, não seria produzida em papel. Segundo o ministro, os estudos partem do princípio de se criar uma moeda digital, isto é, que não seja impressa.

“Recebemos dos nossos presidentes uma incumbência de não adotar uma ideia que era do governo anterior, que não foi levada a cabo, da moeda única. O meu antecessor, Paulo Guedes, defendia muito uma moeda única entre Brasil e Argentina. Não é disso que estamos falando. Isso gerou uma enorme confusão, inclusive na imprensa brasileira e internacional", afirmou Haddad.

O objetivo da moeda comum seria melhorar e dinamizar o comércio entre os países latino-americanos, reduzindo a dependência ao dólar para efetuar pagamentos internacionais. Atualmente já existem mecanismos financeiros que permitem algo do tipo, como o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) e o antigo Convênio de Pagamento e Créditos Recíprocos (CCR), que foi abolido pelo Brasil em 2019.

No entanto, essas ferramentas se mostraram não ser suficientes para estimular o comércio como o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da Argentina, Alberto Fernández, gostariam.

“Não se trata da ideia de uma moeda única. Trata-se de avançarmos nos instrumentos previstos e que não funcionaram a contento, nem pagamento em moeda local e nem os CCRs dão hoje uma garantia de que podemos avançar no comércio da maneira como pretendem os presidentes”, disse o ministro.