Haddad promete entregar ao Congresso até junho substituto do teto de gastos

Haddad afirmou que não aceita o déficit orçamentário previsto para o ano (DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images)
Haddad afirmou que não aceita o déficit orçamentário previsto para o ano (DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images)
  • Haddad afirmou também que irá criar novo arcabouço fiscal no primeiro semestre de governo;

  • Déficit orçamentário previsto no Orçamento de 2023 é de R$ 231,5 bilhões;

  • Uma das principais causas do déficit foram as medidas eleitoreiras de Bolsonaro, afirmou o ministro.

Em seu primeiro discurso como ministro da Fazenda, Fernando Haddad repercutiu as promessas feitas pelo presidente Lula em seu discurso de posse, ao prometer entregar um novo mecanismo de arcabouço fiscal ainda no primeiro semestre de seu governo.

“Assumo com todos vocês o compromisso de enviar, ainda no primeiro semestre, ao Congresso Nacional, a proposta de uma Nova âncora fiscal, que organize as contas públicas, que seja confiável, e, principalmente, respeitada e cumprida”, afirmou.

O ministro da Fazenda também afirmou que não aceitará ficar dentro das previsões de déficit fiscal de R$ 231,5 bilhões estimados no Orçamento de 2023, montado pelo governo de Bolsonaro. “Não aceitaremos um resultado primário que não seja melhor do que os absurdos 220 bilhões de déficit previstos no Orçamento para 2023”, disse.

O déficit orçamentário ocorre quando o governo gasta mais do que é capaz de arrecadar, fazendo com que ele entre no negativo e precise se endividar para manter a máquina pública funcionando. O pagamento dessa dívida, e dos juros associados, é prevista nos Orçamentos dos anos seguintes, dando menos espaço para gastos do governo.

Segundo Haddad, uma das grandes causas para uma previsão de déficit tão grande foram as medidas eleitoreiras adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro no ano passado, como a criação de novos auxílios, desonerações fiscais e inclusão indevida de famílias no Auxílio Brasil.

"Com objetivo exclusivamente eleitoreiro, acabaram com filtros de seleção de beneficiários dos programas de transferência de renda, comprometendo a austeridade desses programas. Recentemente, aliás, confessaram o ato, nos pedindo a retirada de dois milhões e meio de pessoas que eles incluíram indevidamente no cadastro do Bolsa Família", afirmou o ministro.