Haddad reconhece derrota e vê Boulos candidato em 2024

SÃO PAULO, SP, 30.10.2022 - O candidato Fernando Haddad após votação eleitoral no colégio Catamarã, em Moema, na zona sul de São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 30.10.2022 - O candidato Fernando Haddad após votação eleitoral no colégio Catamarã, em Moema, na zona sul de São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad (PT) reconheceu na noite deste domingo (30) a derrota para Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição para o Governo de São Paulo e vê boas perspectivas para a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal mais bem votado em São Paulo, à Prefeitura em 2024.

Com 100% das urnas apuradas, o ex-ministro de Bolsonaro obteve 55,27% dos votos válidos, ante 44,73% do petista. "Já liguei para o Tarcísio de Freitas desejando a ele que faça um bom governo, me colocando à disposição", disse o petista em discurso após a apuração.

"Eu acredito na democracia e democracia é reconhecimento do resultado. Pensando no povo de São Paulo, a gente tem que desejar sorte e contribuir, inclusive, na oposição", completou o ex-prefeito após a apuração, que teve clima de festa pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência.

De tempos em tempos, um locutor narrava os dados da eleição nacional e os apoiadores vibravam. Na hora da virada, os gritos lembraram a comemoração de gol e o hit da noite foi a música "Tá na Hora do Jair Já Ir Embora".

Apesar da derrota, Haddad afirmou que estava feliz e realizado pelo fato de ter contado com apoio e formado uma frente "maravilhosa", com "todos os progressistas unidos", que permitiu realizar a melhor eleição do partido no estado em 40 anos e contribuir para a eleição de Lula. Com o ex-prefeito, o PT teve esperança de chegar ao Palácio dos Bandeirantes pela primeira vez.

Haddad ainda fez menção à eleição municipal paulistana, em 2024. Boulos deixou de concorrer ao governo paulista após o compromisso de que o PT apoiaria sua candidatura à prefeitura.

Na capital, Haddad obteve 54,41% dos votos, contra 45,59% de Tarcísio.

"Boulos, vai se animando aí que na capital tive praticamente a mesma votação que você quando venci José Serra, em 2012. Isso é muito significativo porque eu tenho um amor profundo por essa cidade e fiquei muito feliz de ver o mapa da cidade todo vermelhinho".

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, Haddad conseguiu articular uma ampla aliança em sua campanha, de Geraldo Alckmin (PSB) a Boulos. A maior parte dos partidos de centro e de direita, porém, abraçou Tarcísio e o ex-prefeito não conseguiu contornar o expressivo antipetismo no estado, principalmente no interior.

Na campanha, Haddad foi questionado pela gestão na prefeitura —ele cumpriu metade de suas metas e deixou 35 obras não finalizadas—, apresentou um legado de melhora nas contas públicas e repetiu suas realizações no MEC, com ampliação das universidades federais e a criação do Prouni. Em relação às propostas, indicou aumento do salário-mínimo e ICMS zero para carne e cesta básica.

Entre petistas, o discurso era ressaltar a importância de Haddad na eleição de Lula.

"São Paulo deu a grande contribuição para tirar o Brasil desse processo atrasado, arcaico, fascista, que nós assistimos nesse governo. Mas certamente o Brasil estaria melhor servido com Haddad governador", disse Luiz Marinho (PT), coordenador da campanha de Haddad, após a apuração.

Provável ministro, o petista não revelou qual papel deve exercer no governo Lula. Questionado pela Folha sobre o assunto, ele disse não conversou sobre isso com o novo presidente eleito.

"Nunca conversei com o Lula sobre a possibilidade de perder as eleições de São Paulo. Até ontem a noite estávamos na luta para a ganhar essa eleição. Lula tem toda liberdade para montar sua equipe", disse Haddad.