Haddad tira Lula e reduz vermelho do material de campanha

CATIA SEABRA E MARINA DIAS

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O comitê eleitoral de Fernando Haddad reduziu a aparição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vermelho, marca petista, do material de campanha para segundo turno.

Nas novas peças de campanha, até a bandeira mudou de cor. Agora há dois modelos: azul e branca.

Também nas fotos oficiais e adesivos, o vermelho foi substituído por azul, branco e as cores da bandeira do Brasil. O vermelho limita-se a um detalhe em que o número 13 aparece em cor amarela.

Na foto oficial, Haddad e sua vice, Manuela D'Ávila (PC do B), usam blazer. Ele, azul. Ela, bordô. Em azul, está a inscrição "Todos pelo Brasil". Figura central no primeiro turno, Lula não aparece mais.

Além da mudança no material de campanha --feita para mostrar um candidato mais aberto a alianças e menos dependente de Lula--, Haddad também deve procurar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para firmar uma "frente democrática" contra a escalada de violência que, segundo o petista, é personificada por Jair Bolsonaro (PSL). O PT ainda articula para convencer Ciro Gomes (PDT) a participar da sua campanha.

Dirigentes petistas afirmam que a prioridade é fechar com Ciro, incluindo propostas do pedetista no programa de governo e fazendo com que ele integre a equipe de Haddad.

A ponte com Ciro está sendo feita via Jaques Wagner, senador eleito da Bahia que assumiu a coordenação política da equipe de Haddad, e Camilo Santana, governador petista reeleito no Ceará.

O irmão de Ciro, Cid Gomes, esteve com Wagner na segunda (8), por exemplo.

Com o apoio dos partidos de centro-esquerda --PDT, PSOL e PSB-- formalizados, Haddad quer ampliar seu arco para outros setores e atores da sociedade e, assim, formar uma frente em defesa dos valores da democracia.

Nesta quarta, FHC disse à Folha de S.Paulo que Haddad ainda não entrou com contato com ele, mas fala "com todo mundo que me telefona com o maior prazer". "Tenho que esperar que os outros queiram alguma coisa", disse o ex-presidente tucano.

Questionado publicamente sobre quando irá procurar FHC, Haddad não respondeu.

Ainda nesta quarta, o petista recebeu em sua casa três integrantes de um grupo mais à esquerda do PSDB, coordenado por Fernando Guimarães, que entregou ao candidato uma carta que propõe "mediação para conter a escalada de violência no país".

FHC não estava entre os presentes e não faz parte do grupo, mas Haddad aproveitou o encontro reservado para dizer que sempre teve relação de diálogo com o ex-presidente da República, o que foi visto com o um aceno.

Uma reunião suprapartidária está sendo planejada para a próxima semana, mas ainda não há detalhes sobre os participantes. Em coletiva à imprensa em São Paulo, Haddad disse que está "conversando com todas as forças que queiram conter a barbárie".

"Parte significativa do PSDB está muito preocupada com o que está acontecendo no país", disse Haddad.

Ele citou como exemplo um mestre de capoeira que foi assassinato nesta semana na Bahia após uma briga política --ele declarava voto no PT-- e uma mulher que foi agredida e teve a suástica entalhada nas costas.

Os exemplos e a nacionalização da violência contabilizada por Haddad na candidatura de Bolsonaro serão utilizados nos programas eleitorais do petista na TV.