Haddad usará Guedes para desmentir moeda única; entenda

Ministro da Fazenda quer lembrar que quem defendia a medida era a gestão Bolsonaro

Haddad vai destacar que a ideia é criar uma
Haddad vai destacar que a ideia é criar uma "moeda comum" para transações com a Argentina, não uma moeda que substitua o real ou o peso

(REUTERS/Adriano Machado)

Para rebater mentiras sobre criação de uma “moeda única” com a Argentina, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai citar Paulo Guedes, ex-ministro da Economia no governo Bolsonaro. A suposição é explorada de forma negativa por bolsonaristas.

Em viagem oficial a Buenos Aires com o presidente Lula (PT) e outros ministros, Haddad pretende lembrar que quem defendia a medida era Guedes. A informação foi obtida pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles.

Argumentos. O petista vai destacar em seu discurso que:

  • Guedes apoiou a moeda única no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça;

  • O ex-ministro chegou a citar a ideia em várias entrevistas ao longo da gestão Bolsonaro;

  • O atual governo pretende criar uma “moeda comum” para transações comerciais, e não uma “moeda única” para os países.

  • A moeda será definida como “unidade comum de troca”.

Haddad também deve pedir para incluir no memorando - que será assinado por ele e por Sergio Massa, ministro da Economia argentino - um trecho que deixa explícito que a intenção dos dois países não é criar uma “moeda única”.

O que é a moeda comum?

A proposta, anunciada pelo jornal portenho Perfil, não substituirá o real ou o peso argentino. A ideia é ser uma alternativa para as transações comerciais não ficarem dependentes do dólar.

Caso seja criada, a moeda se tornaria a segunda maior para um bloco econômico, perdendo apenas para o euro, já que outros países da região devem adotá-la no futuro.

"Pretendemos quebras as barreiras em nossas trocas, simplificar e modernizar as regras e incentivar o uso de moedas locais. Também avançamos nas discussões sobre uma moeda sul-americana comum que possa ser usada tanto para fluxos financeiros quanto comerciais, reduzindo custos operacionais e nossa vulnerabilidade externa", pontuaram no artigo conjunto os presidentes Lula e Alberto Fernández.

O caminho para a adoção da moeda ainda é longo. Segundo o Estadão, especialistas afirmaram que discrepâncias entre as economias podem dificultar esse projeto.