Haitianos abrigados em barracas após terremoto aguardam ajuda impacientes

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Homem cobre o rosto ao passar ao lado de um túmulo aberto após um terremoto de magnitude 7,2 em Les Cayes, no Haiti

Por Laura Gottesdiener

LES CAYES, Haiti (Reuters) - Haitianos que ficaram desabrigados após um terremoto devastador que matou cerca de 2 mil pessoas expressaram revolta com a falta de auxílio do governo depois de passarem uma quarta noite ao relento nesta quarta-feira, muitos sem água e comida.

O primeiro-ministro Ariel Henry, que voou para visitar Les Cayes, cidade do sudoeste do Haiti que foi a mais afetada pelo tremor de magnitude 7,2 de sábado, elogiou a dignidade demonstrada pelos sobreviventes e prometeu um aumento rápido da ajuda.

Mas até a noite de terça-feira, quando nuvens de tempestade ameaçavam uma segunda noite de chuva forte, os moradores de uma cidade de barracas crescente de Les Cayes diziam que a ajuda estava escassa.

"Ninguém do governo veio aqui. Nada foi feito", disse Roosevelt Milford, pastor que visitou estações de rádio e televisão da área implorando para falar no ar.

"Precisamos de ajuda", disse Milford em uma mensagem simples transmitida em nome das centenas de pessoas acampadas em campos encharcados desde que o tremor destruiu suas casas.

Nas proximidades, moradores usavam facões para cortar as pontas de varas de madeira para serem usadas como estacas de barracas improvisadas.

A depressão tropical Grace, que se abateu sobre o sul haitiano na noite anterior, arrasou muitos abrigos e inundou o campo, agravando o sofrimento.

"Temos a vontade para fazer tudo, mas não temos dinheiro ou recursos", disse Milford. "E precisamos nos preparar para a chuva vindo esta noite."

Ele e outros se queixaram por não terem nem o tipo mais básico de auxílio, como alimento, água potável e abrigo das chuvas.

Em um país com índices altos de crimes violentos, os moradores montaram suas próprias equipes de segurança para vigílias noturnas, dando atenção particular à segurança de mulheres e meninas, acrescentou ele.

As preocupações de segurança a respeito de áreas controladas por gangues na rota da capital Porto Príncipe, assim como os danos do terremoto em algumas estradas, dificultam o acesso de equipes de auxílio e resgate a algumas das zonas mais prejudicadas.

Ainda na terça-feira, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários disse que as negociações bem-sucedidas com grupos armados permitiram a entrada de um comboio humanitário a Les Cayes. A mídia noticiou que uma trégua foi acertada com as gangues.

Jerry Chandler, chefe da Agência de Proteção Civil do Haiti, disse que o governo está enviando ajuda às áreas afetadas por terra. Nos primeiros dias após o sismo, muitos médicos e agentes humanitários acorreram de avião.

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759)) REUTERS ES

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