Haitianos terão "dias dolorosos pela frente" contando vidas perdidas para terremoto

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Moradores de Camp-Perrin, no Haiti, recebem alimentos do Programa Mundial de Alimentos da ONU

Por Laura Gottesdiener

CAVAILLON, Haiti (Reuters) - Autoridades do Haiti contavam lentamente os mortos e desaparecidos de vilarejos remotos nesta quinta-feira depois que o número de mortes do terremoto devastador da semana passada ultrapassou 2 mil, e o primeiro-ministro Ariel Henry alertou que a nação caribenha encara tempos dolorosos pela frente.

Na cidade pequena de Cavaillon, autoridades locais se debruçavam sobre pedaços de papel nos quais registravam o número de casas, escolas e igrejas danificadas em cada um dos vilarejos circundantes, assim como a quantidade de mortos e desaparecidos.

"Achamos que ainda há corpos nas ruínas, porque conseguimos sentir seu cheiro debaixo dos escombros", disse Jean Mary Naissant, uma das autoridades de Cavaillon, próxima de Les Cayes, cidade do sul que foi uma das áreas mais atingidas pelo sismo.

A Agência de Proteção Civil do Haiti, que coordena a reação de emergência, disse na noite de quarta-feira que o número de mortes do forte tremor de magnitude 7,2 de sábado subiu para 2.189, a maior parte no sul do país, e que o número de feridos está em 12.200.

País mais pobre das Américas, o Haiti ainda está se recuperando de um terremoto calamitoso de 2010 que matou mais de 200 mil pessoas. O desastre mais recente ocorreu poucas semanas depois de o presidente Jovenel Moise ser assassinado no dia 7 de julho, o que lançou o país de 11 milhões de habitantes em um turbilhão político.

De acordo com a contagem de Cavaillon e dos vilarejos pequenos que pertencem a ela, houve 53 mortes e mais de 2.700 feridos na área, mas ainda há 21 pessoas das quais não se tem notícias seis dias após o tremor, disseram autoridades locais.

Moradores realizaram um protesto na segunda-feira para exigir mais assistência para vasculhar os edifícios desmoronados, disse Naissant, mas a ajuda do governo ainda não chegou da capital, situada cerca de 180 quilômetros ao leste.

Um mercado e um hotel de um vilarejo próximo estavam repletos de pessoas quando o tremor ocorreu na manhã de sábado, reduzindo a área a uma grande pilha de cimento despedaçado e hastes de ferro retorcido.

Moradores conseguiram retirar dois corpos do local, disse Jimmy Amazan, outra autoridade local, mas o odor que emanava da pilha durante os esforços de resgate levou a crer que há mais deles além do alcance.

Na noite de quarta-feira, o premiê Henry disse em uma mensagem de vídeo que todo o país está física e mentalmente devastado.

"Nossos corações estão se dilacerando; alguns de nossos compatriotas ainda estão sob os escombros", disse ele, apelando para que a nação conturbada se una em um momento de crise. "Os dias adiante serão difíceis e muitas vezes dolorosos."

(Por Laura Gottesdiener em Cavaillon e Gessika Thomas em Porto Príncipe; reportagem adicional de Henry Romero em Camp-Perrin)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759)) REUTERS ES

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