Haja coração: cardiologista alerta para a importância de manter exames em dia

Regiane Jesus
·2 minuto de leitura

RIO — A redução de cerca de 70% no número de consultas cardiológicas pode cobrar um preço alto. Cardiologista do Hospital São Vicente de Paulo, na Tijuca, José Perrota Filho chama a atenção para o perigo que um cardiopata corre por deixar de fazer os exames de rotina devido à pandemia de Covid-19. Por fazerem parte do grupo de risco do novo coronavírus, estes pacientes devem se manter em distanciamento social, mas não podem abrir mão dos seus tratamentos.

Uma saída que o médico encontrou para solucionar este problema foi o atendimento remoto, mas, em alguns casos, o formato não funciona de forma plena.

— Eu atendi recentemente uma paciente, de 70 anos, que não via desde 2019. No ano passado, optei por orientá-la em consultas on-line. Ela se manteve bem, saudável, mas chegou um momento em que eu precisava examiná-la presencialmente. Muita gente deixou de tratar doenças cardíacas por causa da pandemia, mas isso não pode acontecer. É arriscado — diz o médico, que mora em Olaria e tem consultório em Del Castilho.

Sintomas não devem ser negligenciados, muito menos escondidos.

— Quem sentir um desconforto, uma dor no peito, sobretudo fumantes, sedentários ou com histórico familiar de doenças cardíacas, deve procurar um atendimento de emergência. Mas, claro, usando máscara, mantendo o distanciamento social e higienizando constantemente as mãos. Não se pode descuidar da saúde. Pessoas morrem em casa porque não buscaram socorro médico — observa o médico.

De março de 2020 para cá, Perrota Filho percebeu ainda um crescimento no número de casos de doenças do coração que têm o estresse como um dos fatores de risco.

— Houve aumento de arritmias, palpitações e picos hipertensivos. Por mais difícil que seja, é preciso tentar se manter calmo diante deste momento, desta tragédia — pontua.

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