Sem apresentar provas, Mourão comenta mortes em ação no Jacarezinho (RJ): "tudo bandido"

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Após ação trágica, comunidade do Jacarezinho amanheceu com protestos - Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo
Após ação trágica, comunidade do Jacarezinho amanheceu com protestos - Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo
  • Sem apresentar provas, vice-presidente comentou ação policial que terminou em 25 mortos no RJ

  • Escritório de Direitos Humanos da ONU pediu investigação independente sobre operação no Jacarezinho

  • Operação da polícia deixou 25 pessoas mortas na última quinta-feira (6)

Sem apresentar provas, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou, nessa sexta-feira (07), que as 25 mortes ocorridas em uma operação policial na comunidade de Jacarezinho, no Rio de Janeiro, são todas de "bandidos", excetuando o óbito do policial que morreu durante o episódio.

Questionado sobre o ação truculenta, que foi a mais letal da história do Rio de Janeiro, o vice-presidente foi taxativo. 

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“Tudo bandido! Entra um policial numa operação normal e leva um tiro na cabeça de cima de uma laje. Lamentavelmente, essas quadrilhas do narcotráfico são verdadeiras narcoguerrilhas, têm controle sob determinadas áreas e é um problema da cidade do Rio de Janeiro”, disse o general.

Ele ainda afirmou que as Forças Armadas podem ter que intervir eventualmente para tratar da questão de segurança pública na capital fluminense. 

“É um problema sério da cidade do Rio de Janeiro que vamos ter que resolver um dia ou outro”, completou.

ONU pede investigação independente

Após ação trágica, comunidade do Jacarezinho amanheceu com protestos - Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo
Após ação trágica, comunidade do Jacarezinho amanheceu com protestos - Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do escritório de Direitos Humanos, pediu que seja feita uma investigação independente sobre a operação policial no Jacarezinho, no Rio de Janeiro. A ação deixou 25 pessoas mortas, entre eles, um policial.

Rupert Colville, porta-voz dos Diretos Humanos da ONU, classificou que há um histórico de uso “desproporcional e desnecessário” da força por parte da polícia. “Pedimos que o promotor conduza uma investigação independente e completa do caso de acordo com os padrões internacionais”, disse Colville durante entrevista coletiva em Genebra, na Suíça.

“A força só deve ser usada como último recurso e a polícia não tomou medidas para preservar as evidências na cena do crime”, declarou o porta-voz da ONU.

Moradores realizam protesto

Manifestantes protestaram na manhã desta sexta-feira contra a violência policial na ação que deixou 25 mortos na comunidade de Jacarezinho.

De acordo com o G1, por volta das 7h30, os manifestantes ocupavam as duas faixas da Av. Dom Hélder Câmara. Eles saíram da estação Maria da Graça na Linha 2 do metrô e caminharam em direção à entrada da Cidade da Polícia, onde estão localizadas as delegacias especializadas da Polícia Civil.

Justiça para Jacarezinho”, “fim do massacre nas favelas”, “maconha ilegal, na favela é letal”, “não vamos esquecer”, eram alguns dos dizeres dos cartazes levados pelos manifestantes. Em uma das ruas que dão acesso à comunidade, eles colocaram um pano preto, como forma de luto pelos mortos na operação.