Harry e William: a reconciliação impossível dos príncipes britânicos

A reconciliação entre os príncipes William e Harry, os irmãos mais famosos do Reino Unido, parece impossível após a cascata de revelações sobre a abalada relação entre o futuro rei e seu irmão caçula.

Poucos dias antes da publicação das memórias de Harry, alguns trechos divulgados pela imprensa expõem, sem qualquer filtro, o rompimento entre os filhos de Charles III e da falecida Diana.

Harry, de 38 anos, chama William, dois anos mais velho, de "irmão querido e arqui-inimigo". Ele afirma que os dois brigaram em 2019 e que, na ocasião, William "jogou-o no chão".

"No Reino Unido, os rumores de disputas na família real não são nada novos, mas nunca desta magnitude", disse à AFP Craig Prescott, especialista constitucional da Universidade de Bangor, no País de Gales.

- Diana estaria "triste" -

Em entrevista que será transmitida na segunda-feira (9), nos Estados Unidos, Harry admite que Diana ficaria "triste" ao ver como a relação entre seus dois filhos está tensa. E considera que ela saberia que “há certas coisas que devem ser resolvidas para curar a relação”.

Em trechos do livro, o duque de Sussex fala sobre sua frustração por ter crescido como "reserva", enquanto seu irmão, "o herdeiro", estava sendo preparado para se tornar rei.

Durante muito tempo, William e Harry pareciam muito unidos aos olhos do mundo. Restam imagens, como a dos dois adolescentes caminhando de cabeça baixa atrás do caixão da mãe, em 1997.

Também existem histórias hoje inimagináveis. Em 2011, para o casamento de seu irmão, Harry teria feito um discurso tão emocionante — chamando William de "o irmão perfeito" — que fez a noiva, Catherine, chorar.

Mas tudo isso "acabou", declarava a manchete do jornal britânico Daily Mirror nesta sexta-feira (6), com uma foto de capa dos dois em 1989, na qual Harry, de cinco anos, olha para o irmão mais velho com admiração.

"Você vendeu sua alma, Harry", acusou o Daily Express.

- "Reconciliação" -

Quando as divergências eclodiram em 2020 com a saída repentina de Harry e Meghan — uma atriz afro-americana com quem ele se casou em 2018 — da família real, a extensão dos danos ainda era desconhecida.

A ruptura foi oficializada um ano depois. O casal, agora morando nos Estados Unidos, acusou a realeza de insensibilidade e racismo em uma entrevista chocante.

"Não somos uma família racista, de forma alguma", respondeu William, que, ao lado de Catherine, cultiva a imagem de um casal com senso de dever impecável.

Altamente influentes na opinião pública, os tabloides britânicos atacam o comportamento de Harry e Meghan.

Desde então, imagens dos dois irmãos juntos são raras.

Os quatro voltaram a aparecer em público juntos em setembro no Castelo de Windsor, após a morte da rainha Elizabeth II. Esta imagem simbólica, a primeira em dois anos e meio, não enganou ninguém, porém. Alguns dias depois, os duques de Sussex foram relegados à segunda fila no funeral da monarca.

vg/acc/ap/tt