Harvard cria fundo milionário para restaurar memória e reparar teses racistas da época da escravidão

A universidade Harvard anunciou, nesta terça-feira (25), a criação de um fundo para financiar projetos de pesquisa, educação e memória sobre o racismo e a escravidão dos séculos 17 ao 19, nos Estados Unidos. O objetivo é "reparar" a memória esclavagista no país, após um relatório mostrar que a instituição contribuiu, no passado, para corroborar teses racistas.

O anúncio foi feito em uma carta publicada pelo presidente da universidade, Lawrence Bacow, dirigida aos estudantes, professores e empregados da instituição, fundada em 1636 em Cambridge, no estado de Massachussets, nos Estados Unidos.

A iniciativa integra um movimento de reconhecimento e reparação da escravidão no país, que ganhou força no meio universitário nos últimos anos. A escravidão foi oficialmente abolida pela 13ª emenda constitucional, em dezembro de 1865. De acordo com Bacow, "a escravidão e sua herança fazem parte da história americana há mais de 400 anos. O trabalho de reparação de seus efeitos persistentes necessitará de esforços ambiciosos nos próximos anos", declarou.

A decisão foi anunciada após a publicação de um relatório do comitê da universidade que propôs recomendações para "reparar" financeiramente a exploração de gerações de milhões de pessoas deportadas à força da África e da Europa para a América.

O documento mostra, por exemplo, que até o século 20 os presidentes e professores da universidade ensinavam e promoviam teorias raciais como o eugenismo, prática que defendeu o "aperfeiçoamento" da raça humana por seleção genética. Em Harvard, nos séculos 17 e 18, vários membros e presidentes escravizaram mais de 70 pessoas, até a prática ser considerada ilegal em Massachussetts, em 1783.

Instituição abrigou teses eugenistas


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