Harvard cria fundo de US$ 100 milhões para indenizar descendentes de escravos

A Universidade de Harvard criou um fundo de US$ 100 milhões em reparação a seu papel na escravidão (AFP/Maddie Meyer) (Maddie Meyer)

A prestigiosa universidade americana de Harvard anunciou nesta terça-feira (26) a criação de um fundo de US$ 100 milhões para indenizar os descendentes de escravos que já possuiu, na esteira de outras instituições que tentam reparar a imagem de uma era sinistra.

O fundo servirá para reparar a lacuna educacional e social causada pelo legado do tráfico de escravos e do racismo.

Este anúncio é consequência da profunda revisão interna do papel que a universidade desempenhou durante a escravidão, publicada em seu site.

As cem páginas do relatório fazem várias recomendações para o uso do dinheiro do fundo.

Entre essas recomendações estão melhorar as oportunidades educacionais para comunidades de descendentes, homenagear aqueles que foram escravizados por meio de um memorial e pesquisar e fazer parcerias com colegas e universidades negras.

O relatório também recomenda identificar e apoiar os descendentes diretos dos escravos negros e nativos americanos que trabalharam no campus de Harvard e foram escravizados pela direção da universidade da época.

"Harvard lucrou e perpetuou, em alguns casos, práticas profundamente imorais", escreveu o presidente de Harvard, Lawrence Bacow, em uma carta a estudantes e funcionários publicada no site oficial da prestigiosa universidade.

"Portanto, acredito que temos a responsabilidade moral de fazer tudo ao nosso alcance para lidar com os efeitos corrosivos persistentes dessas práticas históricas", acrescentou.

Harvard foi fundada em Cambridge, Massachusetts, em 1636.

O relatório observa que funcionários de Harvard, incluindo quatro presidentes, escravizaram mais de 70 pessoas até a prática ser proibida em 1783.

O relatório também observa que a universidade "lucrou" com o dinheiro gerado pela escravidão, em especial, por doações de traficantes de escravos.

Entre meados do século XIX e início do século XX, os presidentes de Harvard e professores proeminentes promoveram a ciência racista e a eugenia e "realizaram 'pesquisas' abusivas, incluindo fotografar escravos e subjugar seres humanos".

O anúncio de Harvard ocorre no momento em que as instituições americanas lutam para corrigir seu papel na escravidão.

No ano passado, os líderes da conferência dos padres jesuítas defenderam a destinação de US$ 100 milhões para indenizações dos descendentes dos escravos que foram de propriedade da ordem.

Em 2019, estudantes da Universidade de Georgetown aprovaram um fundo para beneficiar descendentes de escravos vendidos pela escola jesuíta de elite no século XIX.

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