Harvard e MIT desenvolvem máscara que acende ao detectar coronavírus

A criação de uma máscara que seja capaz de acender uma luz fluorescente ao detectar o coronavírus não está tão distante da realidade, embora os estudos ainda estejam nos estágios iniciais em Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), ambos na cidade de Cambridge, nos Estados Unidos. No entanto, os pesquisadores já pensam no design: se ela deve incorporar sensores no interior do produto ou desenvolver um dispositivo que possa ser conectado a qualquer outra máscara.

O bioengenheiro Jim Collins, professor no MIT, se mostrou otimista em entrevista ao portal de notícias americano "Business Insider". Ele disse que os resultados dos testes realizados nas últimas semanas são promissores. Foi avaliada a capacidade dos sensores de detectar coronavírus em uma pequena amostra de saliva. A equipe busca produzir um sinal fluorescente quando uma pessoa com coronavírus respirar, tossir ou espirrar. O uso deste item facilitaria, segundo Collins, a triagem daqueles que foram infectados.

A equipe espera demonstrar que o conceito realmente funciona nas próximas semanas.

"Quando estivermos nesse estágio, será uma questão de estabelecer testes com indivíduos que provavelmente foram infectados para ver se isso funcionaria em um cenário do mundo real", disse Collins.

O objetivo do laboratório, contou ele, é começar a fabricar máscaras para distribuição pública até o final de setembro. Collins acredita que os sensores possam oferecer uma forma de detecção mais barata, mais rápida e mais sensível do que os testes de diagnóstico tradicionais.

Os sensores consistem em material genético que se liga ao vírus e pode permanecer estável à temperatura ambiente por vários meses, dando às máscaras uma vida útil relativamente longa. Para serem ativados, precisam de umidade, que o corpo libera através de partículas respiratórias como muco ou saliva, e da sequência genética de um vírus.

A tecnologia de identificação de vírus de maneira mais geral já foi comprovada. Em 2018, os sensores do laboratório poderiam detectar SARS, sarampo, gripe, hepatite C, Nilo Ocidental e outros vírus. Agora, os pesquisadores estão ajustando sua ferramenta para identificar casos de coronavírus.

Um laboratório de Xangai sequenciou o genoma do coronavírus em janeiro. Segundo Collins, os sensores precisam apenas identificar um pequeno segmento dessa sequência para detectá-lo. Assim, emitem um sinal fluorescente dentro de uma a três horas.

Como esse sinal não é visível a olho nu, o laboratório usa um dispositivo chamado flourímetro para medir a luz fluorescente. Collins explicou que profissionais de Saúde poderiam usar farômetros para escanear as máscaras das pessoas.