Harvey Weinstein: a queda do 'Deus' de Hollywood

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Harvey Weinstein foi denunciado por assédio ou agressão sexual por mais de 80 mulheres, mas garante que todas as relações sexuais que teve foram consensuais

Durante anos, ele foi um dos produtores independentes mais poderosos de Hollywood. Podia construir ou destruir carreiras no mundo do cinema e da TV. Era venerado e temido ao ponto de Meryl Streep dizer certa vez que era "Deus".

Mas faz mais de dois anos que Harvey Weinstein, de 67 anos, foi denunciado por assédio, agressão sexual e estupro por mais de 80 mulheres por atos que teria praticado ao longo de 40 anos.

A partir da próxima segunda-feira (6), ele será julgado na corte estadual de Nova York e, se for considerado culpado, poderá passar o resto da vida na prisão.

- Um "monstro" -

As atrizes Ashley Judd, Gwyneth Paltrow, Kate Beckinsale, Uma Thurman e Salma Hayek o acusaram de assédio ou agressão sexual. Asia Argento, Rose McGowan e Paz de la Huerta, de estupro. Mira Sorvino e Ashley Judd garantem que ele acabou com suas carreiras porque elas não cederam ao seu assédio.

Muitas contaram que o irascível e impaciente Weinstein marcava encontro com elas em quartos de hotel, onde as recebia coberto com uma toalha de banho e propunha que dessem ou recebessem massagens ou que o vissem se masturbar.

Mas o robusto ex-produtor, de cerca de cem quilos, será julgado criminalmente apenas por duas acusações que não prescreveram: ele foi acusado de forçar a ex-assistente de produção Mimi Haleyi a receber sexo oral contra a sua vontade em 2006 e de violentar em 2013 outra mulher que permanece com a identidade em sigilo.

"Durante anos, ele foi o meu monstro", escreveu a atriz mexicana Salma Hayek, ap relatar o que viveu durante as filmagens de "Frida", em 2002. Diante de suas reiteradas negativas, Weinstein reagia com "ira maquiavélica" e ameaçava matá-la.

Das cinzas do império que construiu, nasceram movimentos como #MeToo e Time's Up, que incentivaram dezenas de milhares de mulheres do mundo todo a denunciar nas redes sociais homens poderosos que praticaram abusos ou assédio e desataram uma mudança de atitude: tolerância zero com este tipo de conduta.

- Ladeira abaixo -

Uma grande investigação sobre sua má conduta sexual, publicada no jornal The New York Times em 5 de outubro de 2017, somada a outra reportagem na revista The New Yorker, originaram um escândalo que acabou com sua carreira, seu casamento e sua reputação.

Foi expulso da Academia de Cinema dos Estados Unidos e da própria empresa, a The Weinstein Company (TWC).

Em novembro de 2017, um mês depois de o escândalo vir à tona, internou-se em um centro de reabilitação para tratar a dependência de sexo.

Sua segunda esposa, a designer de moda britânica Georgina Chapman, com quem teve dois de seus cinco filhos, divorciou-se dele.

Weinstein está em liberdade após pagar uma elevada finança. Usa um bracelete eletrônico e permanece recluso em uma casa alugada em um subúrbio em uma casa alugada em um subúrbio nova-iorquino, perto dos filhos mais novos.

Suas escapadas a Manhattan são perigosas: em outubro, várias mulheres o atacaram em um bar, chamando-o aos gritos de "estuprador" e "monstro" até serem expulsas do local.

No mês passado, apareceu na corte pálido, caminhando com um andador antes de ser operado nas costas devido a um acidente de carro sofrido em agosto.

- O rei do Oscar -

Nascido no Queens em 19 de março de 1952, filho de um lapidador de diamantes, Weinstein estudou na Universidade de Buffalo e inicialmente produziu shows de rock com seu irmão, Bob.

Ambos cofundaram seu primeiro estúdio de cinema, Miramax, em 1979. Seus sucessos incluíram "Sexo, mentiras e videotape", de Steven Soderbergh (1989) e "Shakespeare apaixonado" (1998), ganhador de sete estatuetas e com o qual Weinstein ganhou um Oscar de melhor filme.

A Miramax também produziu o primeiro sucesso de Quentin Tarantino, "Pulp Fiction - tempo de violência" (1994) e "O paciente inglês" (1997, nove Oscars).

A Miramax foi vendida para a Disney em 1993 e os irmãos deixaram a empresa em 2005 para fundar a The Weinstein Company.

Ao longo dos anos, os filmes de Weinstein receberam mais de 300 indicações ao Oscar e 81 estatuetas.

Chegou a ter uma fortuna pessoal entre 240 milhões e 300 milhões de dólares, que mingua rapidamente após cair em desgraça.

Os promotores asseguram que o acusado vendeu seis propriedades por um montante total de 60 milhões de dólares nos últimos dois anos para pagar custas legais e financiar suas duas ex-mulheres.

A TWC declarou falência no ano passado e foi comprada pelo fundo de investimentos Lantern.

Em dezembro, Weinstein chegou a um acordo de 25 milhões de dólares com mais de 30 atrizes e ex-funcionárias que o processaram. A conta será paga por sua antiga empresa e empresas de seguros.

Hoje Weinstein inspira Hollywood, mas como o vilão do filme. Um longa de suspense baseado no escândalo, intitulado "The Assistant", tem estreia prevista para o fim de janeiro.

E está no forno outro filme com produção de Brad Pitt, que encarou Weinstein em 1995 e ameaçou matá-lo se não parasse de assediar sexualmente sua namorada na época, Gwyneth Paltrow.