Hazaras do Paquistão enterram seus mortos após semana de protestos

·1 minuto de leitura
Membros da comunidade xiita Hazara carregam o caixão de um dos mineiros mortos por pistoleiros no Baluchistão, Paquistão, em 9 de janeiro de 2021

Milhares de pessoas se reuniram, neste sábado (8), no Paquistão, para o enterro de 10 mineiros da minoria hazara mortos em um ataque reivindicado pela organização Estado Islâmico (EI), uma tragédia que gerou polêmica sobre a falta de proteção para esta comunidade xiita.

Centenas de hazaras protestaram por seis dias antes de chegar a um acordo na sexta-feira com o governo do Baluchistão, a maior e mais pobre província do Paquistão.

Os dez mineiros da minoria hazara foram sequestrados no domingo passado em uma mina de carvão por homens armados e levados para uma colina onde foram fuzilados e alguns decapitados.

Neste sábado, em Quetta, mais de 4.000 pessoas compareceram, sob estritas medidas de segurança, ao funeral dos mineiros mortos.

Os hazaras constituem a maioria da população xiita em Quetta, capital do Baluchistão, região afetada por movimentos insurgentes étnicos, sectários e separatistas.

A comunidade hazara, que tem características próximas às da Ásia Central, é frequentemente atacada por militantes sunitas, que os consideram hereges.

Na sexta-feira, as autoridades prometeram que os agressores serão detidos, além de indenizar os familiares das vítimas e oferecer-lhes melhor proteção.

O acordo também prevê a criação de uma comissão liderada pelo ministro do Baluchistão para investigar os ataques contra a comunidade hazara nas últimas duas décadas.

As autoridades paquistanesas há muito negam a presença do EI em seu território. Mas este grupo, sunita, assumiu a responsabilidade por vários ataques.

mak-bk-jaf/axn/ube/pz/me/es/mr