Heinze fez lobby pela produção da Covaxin em indústrias de saúde animal

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Senador Luiz Carlos Heinze (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)
Senador Luiz Carlos Heinze (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)
  • Senador Luis Carlos Heinze fez lobby pela produção da Covaxin em indústrias de saúde animal

  • Bolsonarista queria converter empresas de vacina para febre aftosa em imunizantes para a covid-19

  • CPI da Covid recebeu documentos que mostram atuação de Heinze para incluir Precisa no negócio

O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), aliado do presidente Jair Bolsonaro, fez lobby para inclusão de empresas do setor veterinário na produção de vacinas contra a covid-19 e atuou como intermediário de negócios que incluíram a Precisa Medicamentos. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.

suspeitas de fraude e corrupção na assinatura de contrato entre a Precisa e o Ministério da Saúde para o fornecimento de 20 milhões de doses da vacina Covaxin. O contrato para a compra da Covaxin totalizou R$ 1,6 bilhão e foi firmado entre o Ministério da Saúde e a empresa, que representava o laboratório indiano Bharat Biotech no Brasil, durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello.

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O Senado aprovou uma lei que permitiu a atuação de indústrias de vacinas veterinárias no ramo de imunizantes para a covid-19. Um dos representantes do bolsonarismo na CPI da Covid no Senado, Heinze prospectou possibilidades de atuação da Precisa em parceria com grandes indústrias do setor animal para produção da vacina.

A empresa representava a Bharat Biotech no Brasil e já tinha assegurado, desde 25 de fevereiro, o contrato bilionário com o Ministério da Saúde.

Segundo apuração da Folha, a Precisa assinou três acordos de confidencialidade para tentar viabilizar a produção de vacina para covid-19 em plantas industriais de produtos animais. Os acordos teriam sido assinados com a Boehringer Ingelhein Brasil, com a Ourofino Saúde Animal e com a Ceva Saúde Animal.

A ideia de Heinze era converter a produção de vacina para febre aftosa em vacina para covid-19, um empreendimento que pareceu improvável, desde o início, até mesmo para as pessoas ligadas à Precisa.

O celular de Emanuela Medrades, diretora da Precisa Mecidamentos, recebeu quatro chamadas do senador Luis Carlos Heinze, em 18 de abril, para falar sobre o assunto.

O lobby de Heinze também ocorreu na diplomacia brasileira, conforme revelado por documentos obtidos pela CPI da Covid. O embaixador brasileiro em Nova Deli (Índia), André Aranha Corrêa do Lago, afirmou que o parlamentar o abordou sobre o assunto, como consta em ofício do Ministério das Relações Exteriores enviado à CPI.

Lago disse que Heinze lhe comunicou que três empresas brasileiras de saúde animal estariam em tratativas com a Bharat Biotech (que produz a Covaxin) para adaptar suas plantas à produção de vacinas contra o coronavírus. De acordo com o documento, as empresas citadas pelo embaixador são as mesmas dos supostos acordos de confidencialidade com a Precisa: Boehringer, Ourofino e Ceva.

Procurado pela Folha, o parlamentar afirmou que a intenção era salvar vidas.

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