Heinze, do PP, defende golpe militar e diz que pode receitar medicamentos ineficazes

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PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Pré-candidato ao Governo do RS pelo PP, o senador Luis Carlos Heinze se mantém alinhado a Jair Bolsonaro (PL) na defesa ao regime militar e nas críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal), alvo predileto dos ataques do presidente. Sustentou, ainda, seu posicionamento na CPI da Covid.

"As críticas que o presidente faz ao STF eu também faço. Mas já são 63 pedidos de cassação de ministros no Senado e nada prospera", declara o senador.

A declaração foi dada pelo pré-candidato nesta terça-feira (14) durante sabatina Folha/UOL.

Heinze foi questionado sobre a sua participação na CPI da Covid no Senado. Heinze foi da "tropa de choque" bolsonarista na comissão, defendendo as ações do Ministério da Saúde entre elas o estímulo ao "tratamento precoce" - um kit de medicamentos ineficazes contra a Covid. O senador sustentou suas posições na comissão:

"Tem interesses econômicos. Quem patrocinou as pesquisas para dizer que cloroquina e ivermectina não funciona? Quem tem gato no saco."

Declarou ainda que pode pode voltar a distribuir medicamentos sem comprovação científica "se os médicos assim preconizarem":

"Eu vou ter um secretário da Saúde médico. Se médicos receitarem, eu vou fazer. Eu sei que eu perco votos com essa posição, mas eu tenho convicção."

Para Heinze, também não houve demora na distribuição das vacinas.

"Na hora certa, o governo comprou", diz.

Para o senador, não há risco de golpe militar em caso de derrota de Bolsonaro às ruas. Embora Heinze tenha dito que o regime tenha sido bom.

"A energia, o desenvolvimento da parte norte, a Embrapa. Antes o Brasil importava alimentos. Investimentos em energia, infraestrutura", declara Heinze.

Na eleição passada, Heinze abdicou da candidatura ao Governo do RS em nome de uma coligação com Eduardo Leite (PSDB). Com o ingresso de Leite na disputa, na segunda-feira (13), novamente o PP é assediado para se manter na aliança pela continuidade do governo tucano. Mas Heinze se recusa em abdicar outra vez da candidatura.

No Rio Grande do Sul, Heinze divide o eleitorado bolsonarista com o ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL), com vantagem para Onyx nas primeiras pesquisas. Ambos têm procurado demonstrar proximidade com o presidente Bolsonaro em eventos.

"Eu já era pré-candidato antes do Onyx. Questões internas do partido me impediram de concorrer em 2018. Eu tenho um partido forte no estado, o partido com o maior número de prefeitos no RS. Fui um dos primeiros a fimar aliança, com o PTB. Isso na hora certa vai contar. No segundo turno estaremos juntos de qualquer jeito. Não tem problema ter dois palanques. Santa Catarina tem três", declara.

O senador do PP também se mostrou contrário a que policiais usem câmeras nos uniformes, mas não soube dizer o motivo:

"Eu vou ter diálogo com os profissionais da segurança pública. Quero defender não o bandido, mas o policial. Abusos são casos fora da curva."

Heinze foi o terceiro pré-candidato ao Governo do RS entrevistado da série de sabatinas promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL. Antes dele, Edegar Pretto (PT) e Vieira da Cunha (PDT) foram entrevistados.

Na quarta-feira (15), as sabatinas seguem com as participações do ex-deputado federal Beto Albuquerque, às 10h, e do ex-ministro e deputado federal Onyx Lorenzoni (PL), às 16h. O ex-governador Eduardo Leite (PSDB), na segunda-feira (20), às 16h, fecha a série.

A sabatina foi conduzida pelo colunista do UOL Kennedy Alencar, e pelos jornalistas Tales Faria, do UOL, e Alexa Salomão, da Folha.

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