Helder é reeleito governador do Pará e mantém clã Barbalho no poder, projeta Datafolha

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - O governador Helder Barbalho (MDB) foi reeleito para o comando do Pará neste domingo (2), projeta o Datafolha. O resultado consolida os indicadores das últimas pesquisas eleitorais e mantém o governador no comando do segundo estado mais extenso do país.

Com 56,23% das urnas apuradas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Barbalho obteve 69,36% dos votos válidos.

O governador venceu, entre os demais candidatos, o senador e aliado de Jair Bolsonaro (PL) Zequinha Marinho (PL).

Diante do cenário da pandemia de Covid-19, o governador paraense reeleito rompeu com o atual presidente. Chegou a ser alvo de operação da Polícia Federal que investigava desvios de dinheiro público, em contratos na área da saúde, que totalizaram R$ 1,2 bilhão.

Em 2021, a PF pediu o indiciamento de Helder, de cinco ex-assessores e dois empresários. Todos foram acusados de "condutas delituosas" na compra de respiradores para tratamento de pacientes com Covid-19. A transação envolveu recursos públicos da ordem de R$ 50 milhões.

O governador reeleito negou as acusações e afirmou que os recursos foram devolvidos aos cofres do estado.

Ex-ministro de Michel Temer (MDB) e Dilma Roussef (PT), Helder é formado em administração e pós-graduado com MBA executivo em gestão pública. Assume pelos próximos quatro anos os desafios de diminuir o desmatamento ilegal e combater o aumento dos garimpos no Pará.

Obteve a maior aliança política do país, com o respaldo de diferentes segmentos políticos. Foram 16 partidos na coligação: MDB, PT, União Brasil, PDT, PP, Republicanos, PSB, PSD, PSDB, Cidadania, PV, PC do B, PTB, Podemos, DC e Avante.

Além da candidata do próprio partido, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), Helder teve em sua aliança siglas que lançaram outros três candidatos ao Planalto: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT) e Soraya Thronicke (União Brasil). Há ainda na coligação de Helder legendas que nacionalmente apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PL), como PP e Republicanos.

Zequinha Marinho, senador do PL, segundo colocado na disputa paraense, iniciou a trajetória política ainda na década de 1990, tendo se filiado a partidos como PDT, PTB, PSC e PMDB. Zequinha foi vice-governador do Pará, de 2015 a 2019, na gestão do ex-tucano Simão Jatene.

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), Marinho é membro da bancada evangélica e um defensor declarado da legalização do garimpo ilegal e de empresários madeireiros. Com uma campanha voltada ao conservadorismo, o ex-vice-governador do Pará não chegou a ser uma ameaça ao clã Barbalho.