Helder monta maior aliança do país, recebe Lula e Tebet e se equilibra entre 4 presidenciáveis

*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  30-10-2018, 12h00: O presidente Michel Temer durante audiência com o governador eleito do Pará (PA) Helder Barbalho (MDB) e seu pai, o senador Jader Barbalho (MDB-PA), no palácio do planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 30-10-2018, 12h00: O presidente Michel Temer durante audiência com o governador eleito do Pará (PA) Helder Barbalho (MDB) e seu pai, o senador Jader Barbalho (MDB-PA), no palácio do planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Com a maior aliança política do país, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), conseguiu respaldo de diferentes segmentos políticos e busca se equilibrar entre acenos a presidenciáveis que o apoiam no estado.

Formalmente, a coligação de Helder tem 16 partidos: MDB, PT, União Brasil, PDT, PP, Republicanos, PSB, PSD, PSDB, Cidadania, PV, PC do B, PTB, Podemos, DC e Avante.

Ou seja, além da candidata do próprio partido, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), Helder tem em sua aliança siglas que lançaram outros três candidatos ao Planalto: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT) e Soraya Thronicke (União Brasil). Há ainda na coligação de Helder legendas que nacionalmente apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PL), como PP e Republicanos.

Oficialmente, a candidata à Presidência de Helder é Tebet, mas o governador não se furta a acenar para os demais presidenciáveis, principalmente Lula.

Na semana passada, por exemplo, o emedebista participou de atos em Belém com o petista e Tebet.

No último dia 1º, o governador acompanhou o petista em um ato com artistas e produtores do setor cultural. Ele evitou ir ao comício que Lula realizou à noite. Mas o ato teve a presença do irmão do governador, Jader Barbalho Filho, que preside o MDB estadual.

Além disso, Helder também passou pelo hotel de Lula, acompanhado do pai, o senador Jader Barbalho (MDB-PA), numa agenda não divulgada à imprensa.

"Satisfação de estar ao seu lado, parabenizá-lo pelo gesto de ouvir a cultura da Amazônia, seja muito bem-vindo ao estado do Pará. O senhor sabe, de uma maneira muito transparente, que o meu partido tem candidato a presidente, mas eu não poderia deixar de prestigiar a sua vinda", afirmou Helder, no ato com o setor cultural ao lado de Lula.

Nos dias seguintes, o emedebista engatou uma série de agendas com Tebet. Ao lado da candidata, Helder caminhou pelo mercado Ver-O-Peso, almoçou com entidades empresariais e ainda compareceu a uma caminhada ao lado da senadora em Santarém.

Em mais uma mostra do equilibrismo de Helder, seus aliados dizem que, caso Ciro ou Soraya decidam ir ao estado, ele também deve recepcioná-los.

"Acho que ele está buscando o equilíbrio, é difícil para ele não receber os candidatos que estão na coligação porque ele tem realmente um leque grande de candidaturas apoiando ele, de partidos e suas candidaturas", avalia o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PSOL).

"Ele foi ao Theatro da Paz e disse: 'apesar de termos candidatos no meu partido fiz questão de vir aqui por respeito'", continuou.

A avaliação de políticos na coligação do emedebista é que, no Pará, são os candidatos ao Palácio do Planalto que precisam se associar a Helder —e não o contrário. A reeleição do governador é dada como certa por atores locais e é respaldada por pesquisas.

Segundo pesquisa Ipec divulgada no sábado (3), Lula tem 44% das intenções de votos no estado ante 35% de Bolsonaro. Já Helder lidera a disputa pelo Governo do Pará com 65% das intenções de votos.

Em seguida estão Zequinha Marinho (PL) —o candidato de Bolsonaro—, com 13%, e outros seis nomes empatados com 2%.

Mesmo sem a presença de Helder no comício que promoveu em 1º de setembro, Lula fez questão de, ao final do evento, pegar novamente o microfone para reiterar seu apoio ao emedebista.

O petista sabe que endossar Helder no Pará é fundamental para que ele consiga eleger seu aliado no Senado, Beto Faro (PT).

Hoje, a cadeira petista do Pará é ocupada por Paulo Rocha. Ele não concorrerá à reeleição após acertar um acordo com o partido no estado.

Além disso, embora o PT tenha ganhado a eleição no Pará em 2018 contra Bolsonaro, políticos dizem que o estado está atualmente bastante dividido devido à presença do agronegócio e de evangélicos. Por isso, é importante para Lula associar sua imagem à do emedebista.

O Pará tem 12 candidatos ao Senado, sendo que três contam com o apoio de Helder: Beto Faro, que esteve com o governador nos eventos com Lula em Belém, Flexa (PP) e Pioneiro (PSDB).

Helder conseguiu no estado reunir setores de esquerda e também apoiadores de Bolsonaro. O bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus no Pará, uma das maiores do país, declara voto casado no atual presidente e no governador.

A alta aprovação no estado também é atribuída à gestão do governador na pandemia do coronavírus. No auge do período de mortes e transmissões do vírus, o emedebista fez um contraponto a Bolsonaro ao assumir a gravidade da doença e decretar medidas de isolamento no estado. Helder também se posicionou favorável à vacinação contra a Covid-19.