Heleno é o primeiro ministro do governo a se vacinar contra a Covid-19

Julia Lindner
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BRASÍLIA - Aos 73 anos, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, foi o primeiro integrante do alto escalão do governo a se vacinar contra a Covid-19. Após tomar uma dose do imunizante, em Brasília, nesta quinta-feira, Heleno compartilhou o momento em suas redes sociais e destacou ter sido uma escolha pessoal. Aí mesmo tempo, afirmou que o governo defende a vacinação em massa.

“Hoje recebi a primeira dose da vacina contra a Covid-19. O Governo Federal defende a imunização em massa e trabalha intensamente para viabilizar, no menor prazo possível, a vacinação de todos os brasileiros. É uma ação voluntária. Foi a minha escolha”, disse o ministro do GSI.

Em breve, Heleno não será mais o único ministro vacinado. Indicado para assumir o Ministério da Saúde, com posse prevista para a próxima terça, o médico Marcelo Queiroga tomou a primeira dose do imunizante contra a Covid-19 em janeiro por ser da área da saúde. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro e outros ministros estão interessados em entrar na fila da vacinação.

Prestes a completar 66 anos, o presidente Jair Bolsonaro também vem sendo aconselhado por auxiliares mais próximos a entrar na fila da vacinação contra a o novo coronavírus em Brasília quando chegar a vez do grupo de sua faixa etária. Ainda não há previsão de quando isso deve ocorrer, já que cronograma depende do Ministério da Saúde disponibilizar novas doses ao Distrito Federal.

A ideia faz parte da estratégia do Palácio do Planalto de tentar emplacar o discurso de que Bolsonaro, apesar das críticas feitas desde o início da pandemia, sempre apoiou a imunização. A “operação vacina” foi colocada em prática na tentativa de diminuir o desgaste do presidente diante do agravamento da crise sanitária.

Há duas semanas, Bolsonaro, que faz aniversário no dia 21 de março, admitiu pela primeira vez a possibilidade de se vacinar "lá na frente". Segundo relatos de integrantes de alto escalão do governo, o presidente passou a considerar a vacinação com a argumento que a nova cepa do vírus tem uma letalidade maior.

Alguns meses antes, Bolsonaro chegou a dizer que não tomaria imunizantes contra a Covid-19 porque considerava estar imune à doença após ter contraído o vírus em julho do ano passado, ideia que não possui embasamento científico.

A mudança de postura de Bolsonaro já reflete em seus auxiliares mais próximos, que costumam repetir o seu comportamento, como, por exemplo, deixando de usar a máscara mesmo em aglomerações.

Há uma semana, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, de 64 anos, defendeu, nas redes sociais, que "está pronto para a vacina". A publicação foi acompanhada de uma peça de publicidade do governo que dizia "vacinar para o Brasil não parar". Ramos é próximo ao presidente Bolsonaro e foi seu colega Academia Militar das Agulhas Negras (Aman).

"Há cerca de 5 meses fui infectado com a covid-19 e, graças a Deus, tive poucos sintomas. Com a nova cepa, sei que posso me contaminar novamente. A vacinação é a melhor saída para este mal e é por isso que o Governo está trabalhando dia e noite. Estou pronto para a vacina", escreveu Ramos no Twitter.