Declaração de Heleno expõe distanciamento político de um Planalto militarizado

Debora Álvares
Ministro do GSI, Augusto Heleno, é considerado um dos conselheiros que o presidente mais ouve. 

No dia em que um novo general completou o quadro de militares no Planalto militarizado, o distanciamento do Palácio da política ficou explícito. Ocorreu a materialização do que se previa desde o anúncio da indicação do general Walter Braga Netto para a Casa Civil, em sucessão ao deputado licenciado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) — atual ministro da Cidadania.

Ao sugerir ao presidente Jair Bolsonaro que convoque “o povo às ruas” contra o Congresso, ao qual acusa de “chantagens”, o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, expõe um pensamento dominante na ala militar. 

A fala foi noticiada pelo jornal O Globo a partir de uma transmissão ao vivo de uma reunião ministerial, na qual, conforme a reportagem, o ministro chegou a bater na mesa de tamanha a irritação. Na ocasião, foi Bolsonaro quem pediu “cautela” a seu subordinado. 

Heleno é considerado, dentre todos os conselheiros do mandatário, o que ele mais costuma ouvir. É isso o que preocupa.

O alerta ecoa porque conta com o apoio do escritor Olavo de Carvalho, “o guru” da ala ideológica do governo. 

Pelas redes sociais, Augusto Heleno tentou colocar panos quentes na situação e minimizar o ocorrido. Classificou a matéria do Globo de um “episódio de invasão de privacidade” e acrescentou que as opiniões externadas são suas e não foram debatidas anteriormente com o presidente Bolsonaro. 

Continue a ler no HuffPost