Helicóptero é derrubado na Síria e governo avança no noroeste

Por Tony GAMAL-GABRIEL avec Rim HADDAD à Damas
Caminões militares israelenses parto da fronteira com a Síria, em 19 de novembro de 2019

Um helicóptero do Exército sírio foi abatido e seus tripulantes morreram nesta sexta-feira no noroeste do país, o segundo incidente ocorrido nesta semana no contexto das tensões entre a Turquia e a Síria, que, por sua vez, sofreu um ataque israelense fatal.

Bashar al-Assad, apoiado por seu aliado russo, retomou em dezembro sua ofensiva no noroeste da Síria contra o último grande bastião de jihadistas e rebeldes, apesar das advertências da vizinha Turquia.

Na sexta-feira, segundo o Observatório de Direitos Humanos da Síria (OSDH), oito civis, incluindo três crianças, morreram nos atentados, dos quais cinco em ataques russos no povoado de Maarata, perto da cidade de Atareb, na província de Aleppo.

A Turquia, que apoia grupos rebeldes, mantém tropas no noroeste da Síria, para onde enviou reforços nos últimos dias para impedir o avanço das forças sírias.

Um helicóptero do exército foi atingido na sexta-feira "por um míssil inimigo perto de Orum al Kobra", um setor "onde grupos terroristas armados apoiados pela Turquia são mobilizados", segundo uma fonte militar citada pela agência oficial síria Sana.

O disparo que causou a derrubada foi reivindicado por uma aliança de grupos rebeldes pró-Ancara, a Frente de Libertação Nacional (FNL).

A fonte da agência Sana indicou apenas que a tripulação do helicóptero havia morrido, sem fornecer dados precisos. O OSDH, por sua vez, relatou a morte de dois pilotos e atribuiu a queda a um míssil turco.

As autoridades turcas não se manifestaram até o momento. Além das tensões no noroeste, o regime sírio sofreu um ataque perto de Damasco.

Mísseis lançados de Israel atingiram alvos militares, matando sete combatentes sírios e iranianos, informou o OSDH na sexta-feira.

Desde o início da guerra síria em 2011, Israel realizou centenas de ataques contra posições militares do governo de Bashar al-Assad, mas também contra seus aliados, o Irã e o Hezbollah libanês, declarados inimigos do Estado israelense, com o objetivo de impedir a Síria de se tornar um posto avançado de Teerã.

- Base militar reconquistada -

Confrontos de violência sem precedentes opuseram os soldados turcos e às forças sírias no noroeste no início de fevereiro.

Damasco insiste em sua intenção de reconquistar toda a província de Idlib, sua última grande batalha estratégica agora que controla mais de 70% do país.

Os jihadistas doHayat Tahrir al Sham (HTS, ex-Al Qaeda da Síria) dominam mais da metade da província, além de setores adjacentes de Aleppo, Hama e Lataquia.

As forças do regime continuaram seu avanço na sexta-feira, após reconquistar a base 46, localizada a 12 quilômetros a oeste da cidade de Aleppo, no final de "violentos combates" contra jihadistas e rebeldes, segundo o OSDH.

As forças turcas estavam nesta base, mas se retiraram na quinta-feira, de acordo com a mesma fonte.

Antes de cair nas mãos dos rebeldes em 2012, a base era uma das últimas fortalezas do regime no noroeste.

Em uma declaração conjunta, França, Bélgica, Alemanha e Estônia, membros do Conselho de Segurança da ONU, exigiram nessa sexta-feira a cessação imediata da ofensiva militar síria.