Hélio Rubens torce por dobradinha Helinho e Demétrius na Seleção

Hélio Rubens (SERGIO BARZAGHI/Gazeta Press)

Por Marcelo Guimarães

Dono de 15 títulos brasileiros de basquete, sendo 10 como treinador e cinco como jogador, Hélio Rubens comandou uma equipe pela última vez em 2014, quando trabalhou no Uberlândia. Porém. está enganado que acha que ele, aos 77 anos, deixou o esporte de lado para apenas curtir a aposentadoria e a família. Em Franca, cidade onde vive no interior de São Paulo, o vitorioso comandante não deixa de acompanhar o dia a dia da equipe local, que tem o filho Helinho como técnico.

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Embora afirme que a sua carreira como treinador tenha acabado, ele sempre se mostra pronto para colaborar com a sua experiência nos treinos do Sesi/Franca, que tem um centro de treinamento que leva o seu nome. Em entrevista ao Yahoo Esportes, ele falou sobre Vasco, NBA, seleção brasileira e disse que poderia voltar a trabalhar como um gestor esportivo, mesmo que não seja em São Januário, Franca ou Uberlândia, onde é tratado como ídolo.

– Sempre que posso, vou aos treinos do Franca e estou colaborando com o projeto da cidade. Nas atividades, converso com o Helinho (filho e técnico da equipe). Quando sou solicitado pela comissão técnica, falo com os jogadores para passar um pouco da minha experiência (…). Como técnico eu encerrei a minha carreira, ainda posso ajudar o esporte na parte gerencial (…). Apesar da forte ligação com Franca, Vasco e Uberlândia, poderia trabalhar em outros lugares.

A nova carreira de Helinho o deixa empolgado e o sonho de revê-lo na seleção brasileira mexe bastante com Hélio Rubens, que também já esteve à frente da equipe nacional. Uma dobradinha com o afilhado Demétrius Ferracciu, técnico de Bauru, segundo ele, deixaria o país muito bem servido na parte técnica.

– Seria uma grande satisfação. O Helinho é o meu filho e o Demétrius é meu afilhado, filho do meu grande amigo Edson. Porém, independente dessa ligação, são grandes profissionais. Eles são estudiosos e tenho certeza que o basquete brasileiro estaria entregue em boas mãos.

Confira a entrevista completa

Desde que deixou o Uberlândia, em 2014, o senhor não trabalha como técnico. Como está a sua vida em Franca? Continua ligado ao esporte?

Sempre que posso, vou aos treinos do Franca e estou colaborando com o projeto da cidade. Nas atividades, converso com o Helinho (filho e técnico da equipe). Quando sou solicitado pela comissão técnica, falo com os jogadores para passar um pouco da minha experiência. Além do basquete, eu também sou um palestrante. Procuro passar um pouco da minha vivência no esporte, trabalho em equipe, motivação e disciplina nessa palestra, que se chama “Segundo Fôlego”.

O senhor ainda pensa em trabalhar como técnico? Teria algum clube como preferência?

Como técnico eu encerrei a minha carreira, ainda posso ajudar o esporte na parte gerencial. Além disso, no esporte estamos sempre aprendendo. Apesar da forte ligação com Franca, Vasco e Uberlândia, poderia trabalhar em outros lugares. O esporte é um grande agente educacional e gosto sempre de ajudá-lo.

Como o senhor avalia o início da carreira do seu filho Helinho como treinador do Franca?

O Helinho é uma pessoa diferente, bem simples. É diferente do pai, que é mais caladão e brigão. Gosto muito do trabalho dele. Sempre acha que pode melhorar e puxa os seus jogadores. Desde pequeno sempre foi muito determinado. Tenho uma quadra de basquete oficial em minha casa, com uma tabela oficial, mas com o tamanho do aro um pouco menor. Ele não sabia, e a bola sempre rodava e saia, quando ele arremessava. Ele ficava bravo porque em casa o aproveitamento era pior. O meu objetivo era que ele fosse ainda melhor e treinasse cada vez mais para brilhar nos jogos. E foi isso que aconteceu. Ele virou um grande arremessador e só quando ele cresceu que eu contei o segredo.

Qual a sua expectativa para a próxima temporada do Franca?

Com uma folha salarial baixa e com jogadores jovens, o Helinho levou o time para as quartas de final do NBB. Agora, acredito que tem tudo para ser melhor na próxima temporada.

O senhor já pensou na possibilidade de ver o Helinho e o Demétrius juntos comandando a seleção brasileira de basquete?

Seria uma grande satisfação. O Helinho é o meu filho e o Demétrius é meu afilhado, filho do meu grande amigo Edson. Independente dessa ligação, são grandes profissionais. Eles são estudiosos e tenho certeza que o basquete brasileiro estaria entregue em boas mãos.

Como o senhor avalia as mudanças no basquete do Vasco? O clube já anunciou a chegada do técnico Alberto Bial, do americano Holloway e do ala Gemerson.

São bons nomes, mas é um reinício de trabalho. Tudo vai depender do comando. O aspecto financeiro é importante, mas não é o principal. É preciso trabalhar o psicológico, já que somente nós conseguimos nos limitar.

No início de 2016, o senhor esteve em São Januário para a reinauguração do ginásio de São Januário. Também estiveram no evento Helinho, Demétrius, Rogério, Mingão e Vargas, jogadores que fizeram parte da geração vencedora do Vasco no início dos anos 2000. Como foi esse retorno ao clube?

É sempre uma alegria muito grande voltar ao Vasco. Naquele dia, o Eurico Miranda (então presidente do clube) me levou para todos os cantos da quadra e a torcida não parou de me aplaudir. Foi um dia inesquecível.

O senhor costuma assistir aos jogos da NBA?

O basquete me deu a oportunidade de ter uma casa em Orlando e todo ano passo um período nos Estados Unidos. Sempre que posso, vou aos jogos da NBA. É uma coisa louca, já que hoje em dia o esporte nos pede que tudo seja feito de forma mais rápida e a velocidade faz com que os erros aumentem. Então, o segredo do sucesso é produzir mais rápido com o menor número de erros.

Um dos principais brasileiros na NBA é o pivô Nenê, do Houston Rockets. Ele iniciou a carreira no Vasco e trabalhou com o senhor. Como foi participar da formação deste jogador?

Ele sempre foi um grande jogador e mostrou potencial muito novo. Sempre dei liberdade para os meus jogadores falarem e o Nenê sempre participou bastante. Eu o levei para a seleção brasileira com 17 anos. Na época, o presidente da CBB achou que eu era um maluco por levar um jogador tão novo, mas nós mostramos que ele estava errado.

Como você avalia o momento basquete brasileiro?

Ainda estamos passando por um momento delicado. Rezo todos os dias para que os dirigentes sejam iluminados e possam elevar esse esporte que eu tanto amo.

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