Henry Cavill sobre 'The Witcher': 'Passo muito tempo lendo fóruns da série na internet'

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Fãs do épico “The witcher” podem dar pause no videogame porque o bruxo Geralt de Rívia está de volta à TV, depois de um longo hiato pandêmico. Estreia hoje na Netflix a segunda temporada da série fantástica, baseada nos livros do polonês Andrzej Sapkowski, que também deram origem ao jogo com mais de 50 milhões de unidades vendidas no mundo. Estrelada por Henry Cavill, o Super-homem dos filmes mais recentes da DC, a produção estreou em 2019 e ocupa a terceira posição do ranking de séries de língua inglesa mais vistas da plataforma. Só perde para “Bridgerton” e “Stranger things 3”.

'La casa de papel': href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/la-casa-de-papel-serie-chega-ao-fim-como-segundo-maior-sucesso-de-lingua-nao-inglesa-da-netflix-25304156" target="_blank">Série chega ao fim como o segundo maior sucesso de língua não-inglesa da Netflix

Nessa nova saga, baseada no volume “The witcher — O sangue dos elfos”, o bruxo caladão interpretado por Cavill se junta à princesa Cirilla (a atriz Freya Allan), a quem ele tem o dever de proteger, e ganha um ar paternal, torna-se até mais falante e disposto a expor o passado, sem, claro, deixar de derrotar os monstros espalhados pelo Continente. Para construir esse perfil, o ator recorre ao fãs de Geralt espalhados pelas redes.

— Passo muito tempo lendo fóruns na internet. É importante saber o que as pessoas estão sentindo, se eu estou fazendo meu papel direito. Meu trabalho é representar esse personagem adequadamente e, para isso, preciso pesquisar e entender o que pensam — diz o britânico, de 38 anos, em entrevista por chamada de vídeo.

Cavill não deixa de ser, ele próprio, um fã do personagem — e antes mesmo de Geralt existir em carne e osso. Quando soube que a Netflix havia encomendado uma adaptação do jogo de videogame que ele adora, o ator consagrado bateu na porta da plataforma e pediu uma chance.

—Tive meu primeiro encontro com Henry antes de escrever o roteiro. Ele estava bem animado, era bastante familiarizado com os jogos porque é um gamer — disse a criadora da série, Lauren Schmidt Hissrich — Ele expôs o que poderia trazer para o mundo de Geralt, e eu disse: “Ótimo, vejo sua paixão, mas eu preciso escrever ainda”. Mantivemos contato, passamos por todo um processo de teste de elenco e, ao final, percebi que era a voz dele que eu ficava ouvindo na minha cabeça.

A troca entre a showrunner e o protagonista na construção da história é inevitável visto que hoje o ator também se tornou, além de gamer, um devorador da obra de Andrzej Sapkowski.

—O que me guia nesse papel é a intenção original do Sapkowski. O maior desafio é ser fiel ao trabalho dele e, ao mesmo tempo, não atrapalhar a visão da Lauren. Sem bagunçar os planos dela, eu queria (nesta segunda temporada) que o Geralt dos livros existisse de forma mais clara na TV. E, para isso, ele precisava ser mais inteligente e loquaz, com inclinações mais filosóficas — diz Cavill.

Mulheres na luta

Dentre os tais planos de Lauren, sempre houve a ideia de centralizar as histórias das personagens femininas Cirilla (Freya Allan) e Yennefer (Anya Chalotra), sem deixá-las apenas orbitando o protagonista hollywoodiano. A porção mais intolerante do fandom chegou até a criticar a produção por ser “feminista demais”. O fato é que ter uma mulher no comando de uma série de fantasia, gênero dominado por homens numa indústria majoritariamente masculina, é, de certa maneira, disruptivo no cenário.

—Quando meu nome fui anunciado, definitivamente vi algumas perguntas sobre eu ser a melhor pessoa para adaptar esses livros para a televisão. Não acho que foi apenas pelo fato de eu ser mulher, mas também por nunca ter escrito nada de fantasia — diz Lauren, que foi roteirista de “The west wing” e produtora executiva de “Os defensores” e “The umbrella academy”. — Houve muitas perguntas sobre minhas qualificações. Mas eu sabia que o fandom era realmente apaixonado e teimoso. E decidi trabalhar com ele em vez de lutar contra. Não me escondi, disse que levaria em consideração algumas coisas que estavam dizendo. Não todas, porque também tenho que ser fiel ao meu processo criativo e aos do escritor.

Quem achou, então, que as moças da série (desconhecidas do grande público se comparadas ao extenso currículo de blockbusters de Henry Cavill) tinham tempo demais de tela, saiba que assim continuará.

—Todos os personagens femininos são independentes do Geralt. Nós não estamos lá para ajudar a história dele. Temos a nossa e é assim que deve ser. Definitivamente, nessa série, as mulheres não são esposas, namoradas ou amigas — diz a jovem britânica Freya Allan, de 20 anos, que entende um pouco de português porque a madrasta e a meia-irmã, de 4 anos, são do Brasil. —Eles falam pela casa o tempo inteiro, então, eu pego algumas palavras.

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