Herdeiros da bola: conheça as histórias dos craques da Copa que são filhos de ex-jogadores

Se fossem perguntados sobre o que vão ser quando crescer, os herdeiros da Copa do Mundo até poderiam “culpar seus pais por tudo”, como na letra de Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, mas os antecessores que fizeram fama no futebol seriam tentados a mudar uma parte da canção “Pais e filhos” – para dizer que “meu filho vai ter nome de jogador”. Em quatro dos oito grupos do Mundial do Catar, partidas de seleções como Estados Unidos – que estreia nesta segunda-feira, contra País de Gales, às 16h (de Brasília) –, França, Gana e Equador exibirão sobrenomes que fizeram sucesso no futebol de seleções do passado.

Na seleção americana, além do atacante Timothy Weah, filho do ex-jogador – e atual presidente da Libéria – George Weah, um dos convocados mira o objetivo de superar o próprio pai em Copas. O meia Gio Reyna, de 19 anos, jogador do Borussia Dortmund, é um dos pilares da equipe e já afirmou, com bom humor, que deseja chegar às semifinais no Catar só para ganhar pontos com o pai, Claudio Reyna, meio-campista que ajudou a levar os EUA até as quartas de final da Copa de 2002.

Gio afirma que não houve qualquer pressão do pai para que seguisse carreira no futebol. Pelo contrário: o próprio filho é que deu este objetivo a si mesmo.

– Tenho quase certeza que nunca falamos sobre isso. Ele era um pai que não gostava de falar de si mesmo e de sua carreira. Eu é que sempre o procurei em busca de conselhos para minha carreira - afirmou Reyna ao portal “The Insider” na última semana, em meio aos preparativos para sua primeira Copa.

Para levar os EUA ao mata-mata, Reyna e seus colegas possivelmente terão que vencer, na terceira e decisiva rodada do Grupo B, o goleiro iraniano Amir Abdezadeh – filho de um ex-goleiro, Ahmad, que ajudou a colocar o país na Copa do Mundo de 1998, na França, encerrando um jejum de duas décadas longe de Mundiais.

Atualmente jogando na segunda divisão espanhola, Amir ainda não tem no Irã o mesmo status alcançado por seu pai, que foi medalhista de ouro pela seleção nos Jogos Asiáticos de 1990 e tornou-se ídolo nacional jogando por quase uma década no Persépolis, um dos principais clubes de Teerã.

- Meu pai sempre foi um modelo para mim por conta de sua disciplina e dedicação. Aos 54 anos, ele treina cinco horas por dia. Nós sempre conversamos sobre minhas habilidades e fraquezas – disse o goleiro em entrevista no ano passado, reproduzida pelo jornal “Tehran Times''.

O papel, por vezes um fardo, de ser filho de ídolos nacionais também cabe ao goleiro da Dinamarca, Kasper Schmeichel, e aos irmãos ganeses André e Jordan Ayew. Schmeichel, apesar de ter no currículo um título histórico da Premier League com o Leicester em 2016, ainda corre atrás dos feitos do pai, Peter, campeão europeu com a seleção, em 1992, e com o Manchester United, em 1999.

Já os irmãos Ayew carregam o sobrenome do ex-atacante Abedi Ayew, mais conhecido pelo status de ídolo não só no país, mas em todo o continente, e pelo apelido que dispensa explicações: Abedi "Pelé", considerado por muitos o maior jogador africano de todos os tempos. Apesar da fama, o patriarca Ayew não chegou a disputar uma Copa do Mundo. André, hoje camisa 10 de Gana, teve chance de fazer história na Copa de 2010, quando sua seleção esteve a uma cobrança de pênalti de ser a primeira africana a ir além das quartas de final, antes de o Uruguai estragar a festa.

-- Eu me inspiro muito, se não totalmente no meu pai - resumiu André a uma emissora de TV ganesa antes do Mundial.

No Grupo A, dois jogadores do Equador também buscam inspiração em parentes que participaram da fase áurea da seleção em Copas, em 2006, quando alcançaram de forma inédita as oitavas de final. O meia Jhegson Méndez, de 25 anos, busca ser o sucessor do tio, Edison Méndez, autor do gol que deu a primeira vitória equatoriana em Mundiais, sobre a Croácia, em 2002.

Já o atacante Djorkaeff Reasco, além de filho do ex-lateral equatoriano Néicer Reasco – tricampeão brasileiro pelo São Paulo de Muricy Ramalho –, é batizado em homenagem a um campeão mundial: o atacante francês Youri Djorkaeff, que conquistou a taça com “Les Bleus” em 1998.