Hidroxicloroquina aumenta chance de pessoa com Covid morrer, conclui pesquisa

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segura embalagem de hidroxicloroquina incentivando o uso de medicamento contra o coronavírus, mesmo com ineficácia comprovada
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segura embalagem de hidroxicloroquina incentivando o uso de medicamento contra o coronavírus, mesmo com ineficácia comprovada
  • Análise de 28 ensaios clínicos concluiu que o uso da hidroxicloroquina está associado à mortalidade maior por Covid-19

  • Estudo foi assinado por 94 cientistas publicado na revista britânica Nature

  • Hidroxicloroquina é amplamente divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro para o tratamento do coronavírus

Pesquisa assinada por 94 cientistas concluiu que o uso da hidroxicloroquina, medicamento divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o tratamento do coronavírus, está associado a uma mortalidade maior pela Covid-19. A metanálise foi publicada na última quinta-feira (15) na revista científica britânica Nature.

No caso da cloroquina, não há benefício algum no tratamento da Covid, apontou o estudo, que analisou colaborativamente 28 ensaios clínicos publicados ou não, nos quais participaram 10.319 pacientes. A metanálise em questão foi recebida em 2 de outubro de 2020 e aceita em 15 de março.

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"Nós descobrimos que tratamento com hidroxicloroquina é associado com aumento da mortalidade de pacientes com Covid-19, e não há benefício da cloroquina", afirma a pesquisa, que não estabeleceu generalização para pacientes ambulatoriais, crianças, grávidas e pessoas com comorbidades.

"Profissionais médicos ao redor do mundo são encorajados a informar pacientes sobre esta evidência", aconselham os pesquisadores, que concluíram ainda que a hidroxicloroquina aumenta o risco de estender o tempo de hospitalização e de favorecer a progressão do paciente para ventilação mecânica invasiva.

A maioria dos 28 ensaios analisados na metanálise excluiu pessoas com comorbidades, que têm maior risco de algum evento adverso aos referidos medicamentos. Segundo os autores, a falta de estudos para estes grupos destaca como o raciocínio clínico é relutante em expô-los ao risco.

"Nós consideramos todos os ensaios clínicos que reportaram alocação randomizada de pacientes confirmados com Covid-19 ou sob suspeita de infecção para um protocolo de tratamento contendo hidroxicloroquina ou cloroquina, para qualquer duração ou dose, ou o mesmo protocolo de tratamento sem conter hidroxicloroquina ou cloroquina. Em outras palavras, o grupo de controle teve que receber placebo ou nenhum tratamento além do padrão de atendimento", diz o estudo.

"Para a hidroxicloroquina, a evidência é controlada pelo ensaio Recovery, que indicou não haver benefício na mortalidade para tratamento de pacientes com Covid-19, junto com maior risco de hospitalização mais longa e de progressão para ventilação mecânica invasiva e/ou morte. Semelhantemente, o ensaio de Who Solidarity indicou não haver benefício na mortalidade", acrescenta. Com informações do jornal O Globo.