Rússia marca eleições de 2018 em data de aniversário da anexação da Crimeia

Moscou, 12 abr (EFE).- A Duma - parlamento da Rússia - marcou as eleições presidenciais de 2018 para o dia 18 de março, data do quarto aniversário da anexação da Crimeia.

Para isso, foi votada uma emenda à legislação eleitoral que foi aprovada por 333 deputados, enquanto 11 votaram contra e um se absteve.

As eleições, nas quais provavelmente o chefe do Kremlin, Vladimir Putin, tentará se reeleger, deveriam acontecer no segundo domingo de março de 2018, ou seja, no dia 11.

No entanto, a emenda permite mudar a data do pleito se na mesma semana houver feriado ou se esse domingo for declarado dia útil pelo governo.

Desde tempos soviéticos, o Dia da Mulher, em 8 de março, é feriado nacional na Rússia.

O aumento da popularidade de Putin nos últimos anos coincidiu com a anexação da Crimeia, antiga península ucraniana e cuja incorporação não é reconhecida pela comunidade internacional.

Embora Putin ainda não tenha dito se tentará a reeleição, sua popularidade continua superando acima dos 80%, em grande parte devido à sua política exterior, já que a economia russa ainda não saiu da recessão.

Em caso de vitória, o líder russo permaneceria no poder até 2024, quando teria 72 anos.

Seu principal rival, o líder opositor Alexei Navalny, foi recentemente impedido de apresentar sua candidatura ao ser condenado por fraude, embora continue fazendo campanha e abrindo sedes eleitorais em todo o país.

Após ser libertado nesta semana, depois de cumprir 15 dias de detenção administrativa por organizar protestos antigovernamentais no último dia 26 de março, Navalni anunciou nesta quarta-feira planos de convocar uma nova manifestação para 12 de junho, coincidindo com o Dia da Rússia.

Também devem se lançar na corrida presidencial os líderes das outras três correntes com representação parlamentar - comunistas, nacionalistas e social-democratas -, além do histórico líder liberal, Grigory Yavlinsky.

Os autores dessa emenda também propuseram mudanças como a simplificação do processo de coleta de assinaturas para os partidos políticos, ao mesmo tempo em que aumentam as multas por violação da legislação eleitoral.

Também foi eliminada a exigência de os observadores eleitorais exercerem seu trabalho em um só colégio, o que permitirá garantir um maior controle sobre a limpeza das eleições. EFE