Chanceler norte-coreano se reúne em Estocolmo com primeiro-ministro da Suécia

Copenhague, 16 mar (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Ri Yong-ho, se reuniu nesta sexta-feira com o primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, na sede do Executivo sueco em Estocolmo, segundo confirmou o governo do país nórdico, que não deu mais detalhes.

Ri chegou ontem a Estocolmo para conversar com sua colega sueca, Margot Wallström, sobre "a situação de segurança na Península Coreana" e os trabalhos consulares que a Suécia exerce em Pyongyang em representação de Estados Unidos, Canadá e Austrália, segundo um comunicado oficial do Executivo escandinavo.

A agência norte-coreana "KCNA" também informou sobre a viagem de Ri e seu encontro com Wallström "para um intercâmbio sobre laços (diplomáticos) e assuntos de interesse mútuo", uma reunião que acontece depois que o presidente americano, Donald Trump, anunciou sua intenção de realizar um encontro em maio com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

"Está claro que todos seguem o que acontece na Península Coreana. É importante e interessa a todos do ponto de vista da segurança. Agora é necessário diálogo, estamos felizes pelo encontro, mas não somos ingênuos e acreditamos que podemos solucionar todos os problemas", disse hoje Wallström.

A ministra, que fez essas declarações ao sair de uma reunião da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento e não quis responder perguntas, ressaltou que, agora, cabe às partes envolvidas decidir o caminho a ser seguido.

As autoridades suecas não deram mais detalhes dos encontros mantidos por Ri em Estocolmo, mas está prevista a divulgação de um comunicado quando as reuniões terminarem, em princípio na tarde de hoje.

Segundo informou a emissora pública de televisão sueca "SVT", que não citou fontes, o chefe da diplomacia norte-coreana prolongará suas reuniões e ficará em Estocolmo até domingo, mas não há confirmação oficial.

A Suécia é um dos poucos países ocidentais com embaixada em Pyongyang, que abriga a seção de interesses americanos na Coreia do Norte e foi a encarregada de solicitar e realizar visitas consulares aos presos americanos no país asiático.

Acredita-se que a atual viagem do chanceler norte-coreano ao país nórdico também poderia servir para tratar da possível libertação de três cidadãos dos EUA que atualmente estão presos na Coreia do Norte.

A Suécia foi cogitada nos últimos dias como um dos possíveis cenários para uma reunião hipotética entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, uma vez que ambas as partes se mostraram abertas a realizar uma cúpula sobre a desnuclearização do país asiático.

De acordo com a agência sueca "TT", que não mencionou suas fontes, a possível reunião entre Trump e Kim será discutida em Estocolmo, mas não está prevista nenhuma decisão sobre onde e quando ela aconteceria.

A delegação sul-coreana que viajou recentemente a Pyongyang para se encontrar com Kim Jong-un anunciou na semana passada que o líder norte-coreano está disposto a realizar uma cúpula sobre desnuclearização com Trump em maio.

Apesar de Trump ter aceitado a oferta quase que imediatamente, a Casa Branca diminuiu depois o tom e assegurou que não haverá cúpula a não ser que Washington veja antes "ações concretas" de Pyongyang que comprovem sua vontade sincera de abandonar as armas nucleares.

Se acontecer o encontro, este seria o primeiro entre líderes da Coreia do Norte e dos EUA após quase 70 anos de confronto, iniciado com a Guerra da Coreia (1950-1953), e de 25 anos de negociações fracassadas e tensões. EFE